As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 15/10/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhum ser vivo o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileros frente aos contratempos da juventude na obtenção de um ofício é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da indiferença que persiste ligada à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela ineficiência midiática no tema.

Nessa perspectiva, a ingerência governamental, estudada fortemente por Paulo Freire em seu ensaio “Pedagogia do Oprimido”, é uma ferramenta de opressão que limita a instrução social da comunidade brasileira. Deste modo, identifica-se que, como vivenciado por Brás Cubas em sua jornada, o Poder Estatal formou uma instituição escolar que não é apta para lidar com as inconformidades e exigências do atual mercado de trabalho. Logo, é fundamental efetuar profundas modificações na base comum curricular.

Ademais, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, essa reflexão de Zigmunt Bauman defronta-se, indubitavelmente, com o autoritarismo examinado por Paulo Freire. Desta maneira, a análise da conjuntura precária, que cerce a entrada da juventude nos meios trabalhistas, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo e lucrativo, assim, torna-se margeado. Nesse sentido, é inegável como a manipulação midiática alicerça a perpetuação das altas taxas de desocupação, pois a pouca visibilidade direcionada para essa problemática perdura o infortúnio observado pelo patrono da educação brasileira.

Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Por conseguinte, o Poder Executivo deve, por meio da utilização das verbas da União, realizar uma reforma no ensino brasileiro, a qual deverá dirigir ao jovem em período de ensino médio a escolha de estudar as mais diversas áreas do conhecimento, por meio de cursos gratuitos oferecidos pelo Estado. Além disso, o Poder Governamental deve fomentar a criação de mais empregos em escala nacional, através de estímulos fiscais para as empresas que ofertarem mais cargos para a parcela populacional mais jovem. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.