As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 07/11/2022
De acordo com dados do Ipea de setembro de 2017, dos jovens desempregados de 18 a 24 anos, 75% estão desempregados a mais de ano. Essa taxa infeliz é refle-xo de um Brasil com jovens que saem das universidades na esperança de iniciar su-a carreira da melhor forma possível, aplicando seus conhecimentos ao mercado, mas sem encontrar essa oportunidade. São fluentes na tecnologia, detêm o conhe-cimento teórico, mas são analfabetos do mundo de trabalho. Tal situação é inacei-tável e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.
Primeiramente, é válido reconhecer que o que se espera de um empregado di-verge do que um recém formado busca oferecer. De acordo com o escritor Sidnei Oliveira, o jovem cria expectativas distantes da realidade e portanto acaba por manter certa exigência do primeiro emprego. Acostumado com a promoção anual do “passar de ano”, o desapontamento vem, quando o problema pode ser resolvi-do facilemente pela aquisição de experiência em cargos menos estimados, de mo-do a, com o tempo, agregar valor ao currículo e chegar à posição dos sonhos.
Essa bagagem profissional é ponto chave da empregabilidade e pouco apreen-dida durante a formação acadêmica. O mercado procura indivíduos que apresen-tem habilidades emocionais e o “jeitinho” de lidar com as diferentes situações que a profissão exige. Essa desenvoltura é chamada de “soft skill”, a qual se diferencia da “hard skill” por não poder ser obtido em sala de aula ou em livros. Dessa manei-ra, o atual modelo educacional do grau superior é insuficiente e deixa lacunas na formação do formando.
Diante do exposto, há a necessidade de amenizar essa problemática. Cabe ao Ministério da Educação reestruturar o modelo de ensino das universidades ao inse-rir em seus cronogramas maiores cargas de estágio e aulas práticas que apresen-tem aos alunos a real aplicação dos conceitos apreendidos teoricamente. Assim, os jovens poderão competir pelas vagas de emprego mais preparados e qualificados. Quiçá, nesse sentido, as taxas de desemprego desse grupo de brasileiros experi-mentarão uma redução e a disposição que possuem será melhor aproveitada co-mo deve.