As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 09/11/2022

O jornalista Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar as dificuldade dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho e seus impactos socio-culturais, constata-se que esse direito não tem sido assegurado na prática. Logo, é imprescindível enunciar o fator sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.

Em primeira análise, torna-se evidente a influêcia do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do socíologo pode ser aplicada quando se analisa a dura transição entre o período de estudo ao de trabalho pelo jovem brasileiro, isto é, a falta de exposição às realidades do trabalho resulta em uma imaturidade perante o mercado, dificultando imensamente a entrada dos jovens. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para um país equânime.

Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora com a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna dos cidadãos. Entretanto, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico devido a uma carência de centros públicos de aprendizado em que o brasileiro possa se especializar em uma forma de trabalho. A falta de especialização da mão de obra aumenta o desemprego, uma vez que haverá muitos candidatos disputando por uma vaga só.

Infere-se, portanto, que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, deve discutir o assunto com especialistas nessa área, com o objetivo de informar a população a respeito do impasse e instruir como agir de melhor forma. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal em parceria com as emissoras de televisão. Em adição, o Congresso Nacional irá formular artigos jurídicos com a intensão de promover a especialização dos trabalhadores. Feito esses pontos, a sociedade brasileira deixara de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.