As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 24/05/2023

O livro português “Ensaio sobre a cegueira” relata uma epidemia em que pessoas perdem a visão. De acordo com as palavras do próprio autor, José Saramago, a ideia da narrativa é reforçar a importância e a responsabilidade de “se ter olhos quando os outros o perdem”. Análoga a tal obra, as negligências das dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, principalmente quanto sua origem e consequência, evidenciam uma “cegueira” na realidade brasileira e, portanto, devem ser combatidas.

Em primeira análise, é válido ressaltar a fonte de tal problema que se deve, principalmente, pelas exigências impostas - que não convergem à realidade dos jovens - para o ingresso no mercado de trabalho, como, por exemplo, a necessidade de uma grande experiência no ramo. Nesse sentido, o Estado peca por não cumprir o seu papel, tal como proposto pelo filósofo Aristóteles, na efetiva mediação de questões básicas de bem-estar, tal como a colaboração para o ingresso da população jovem no âmbito laboral, uma vez que são escassas e pouco aplicadas, as políticas públicas de incentivo à contratação dos mesmos no mercado. Dessa forma, dá-se continuidade no aumento de exigências e consequente ausência juvenil no meio de trabalho.

Em segunda análise, tem-se a principal consequência desse ciclo, que se fundamenta, como alternativa à falta de oportunidade, no ingresso de jovens no mercado informal que, grande parte das vezes, podem até mesmo estarem em desacordo com as leis trabalhistas. Nesse contexto, o livro “Os Miseráveis” de Victor Hugo retrata uma dessas situações, no qual a personagem, por falta de oportunidades e extrema necessidade, aceita trabalhar em condições exaustivas cuja remuneração é insuficiente. Desse modo, jovens brasileiros se tornam ainda mais prováveis de fazerem parte da realidade exposta na história do autor francês.

Sendo assim, para que se resolva, inicialmente, o problema das irreais exigências de contratação e não mediação efetiva do Estado, o mesmo deve promover políticas públicas de incentivo à contratação de jovens, por meio de subsídios e fiscalização, para que haja uma maior presença juvenil no âmbito laboral. Assim, a “cegueira” relacionada às dificuldades para tal serão devidamente combatidas.