As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 31/07/2023
A teoria darwniana da “Evolução das Espécies” expõe que nem sempre o mais forte sobreviverá, mas sim, aquele que melhor de adaptar ao meio. De maneira se-melhante a essa formulação teórica, percebe-se que o mercado de trabalho exerce uma força que seleciona de forma desleal de acordo com seus interesses, margina-lizando os jovens. Diante desse cenário, evidencia-se o estigma social etário e a ina-dequação educacional como desafios para o ingresso laboral dos jovens.
Nessa perspectiva, é importante analisar o estigma social associado à contrata-ção de trabalhadores jovens. Devido à concepção embuída de preconceito etário, mui-tas empresas contra-tantes preferem admitir trabalhadores com mais expe-riência profissional, perpetuando a marginalização trabalhista desse público. Dessa forma, é consolidado o ciclo de desemprego em que se dificulta a obtenção de oportunidade trabalhista aos recém egressos. Sob esse viés, é possível citar o soci-ólogo Erving Goffman, o qual conceitua estigma como a situação do indivíduo que é inabi-litado para a aceitação social plena. Sendo assim, concebe-se a segrega-ção profissional desse grupo.
Além disso, é válido ressaltar o caráter pouco prático da educação formal brasi-leira. Isso porque, as escolas e universidades, em sua maioria, centram-se apenas em repassar conteudos de teóricos, ausentes em autonomia e reflexão crítica, tor-nando os seus egressos despreparados para o mercado de trabalho. Ademais, o in-cipiente contato com o futuro profissional consolida a imaturidade e a insegurança nos jovens. Sob essa óptica, é lícito referenciar o filósofo Immanue Kant, o qual afir-ma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Logo, conclui-se que o atu-al modelo educacional forma alunos despreparados para o mercado trabalhista.
Portanto, faz-se necessária a tomada de atitudes em prol da superação dos de-safios do ingresso trabalhista dos jovens. Cabe ao Ministério do Trabalho, realizar a inclusão obrigatória de recém formados nas contratações profissionais, mediante inclusão de cotas, de modo a extrapolar o campo de atuação do “Jovem Aprendiz”, a fim de promover o acesso laboral adequado. É preciso também que as escolas adequem a metodologia de ensino, por meio da reformulação curricular, para garantir a capacitação adequada às exigências do mercado de trabalho.