As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 29/08/2023
Na música “Divino Maravilhoso”, Caetano Veloso faz uma crítica à inaptidão governamental em prover direitos básicos à população da década de 60. Essa mesma análise encontra paralelo nos desafios contemporâneos enfrentados por muitos jovens em relação à dificuldade de ingressar no mercado de trabalho. Isso ocorre devido à ausência de oportunidades equitativas e de políticas para gerar emprego, além da falta de acesso à educação de qualidade, fatores que requerem mitigação tempestiva.
Sob esse viés, tem-se a necessidade de o governo atuar de forma diligente para fomentar o mercado. Nesse contexto, o filósofo Norberto Bobbio, em “A era dos direitos”, relaciona a ausência estatal com o “perecimento” da cidadania. Tal relação é materializada na crise trabalhista e previdenciária, gerada pela falência do sistema neoliberal em âmbito global e com efeitos deletérios e mal gerenciados pelo poder público. Dessa forma, urge que medidas sejam tomadas para contornar os prejuízos ao exercício cidadão, como o acesso à saúde e à educação, garantias previstas na constituição.
Outrossim, salienta-se a importância da atuação social para a mitigação da problemática. Nesse ponto, o antropólogo Roberto Damatta critica a inércia do brasileiro, por esperar passivamente por soluções políticas milagrosas. Por outro lado, é imperioso que o povo atue ativamente na qualificação profissional, por intermédio da conscientização acerca das demandas do mercado e da construção do conhecimento técnico necessário para atuar em área de interesse. Desse modo, por mais que haja a ineficiência política no controle da situação, as dificuldades de inserção serão relativizadas para os mais preparados.
Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são corresponsáveis pela homeostase (equilíbrio) social. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão que atue na elaboração de políticas para aquecer o mercado de trabalho. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas com foco na geração de empregos e na suavização das desigualdades, além de membros da sociedade civil e de suas demadas. Assim, gradualmente, a canção do Caetano deixará de refletir tão bem a realidade.