As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 01/10/2023
Garantido pela Constituição da República de 1988, o direito ao trabalho se trata de um dos mais importantes direitos sociais do cidadão. Referido direito refere-se ao meio através do qual é possível ao ser humano uma existência digna, proporcionando acesso a outros direitos sociais, como à moradia e à alimentação. No entanto, a lacuna entre a qualificação exigida pelo mercado de trabalho e a educação formal bem como a ausência de valorização daqueles qualificados têm implicado o aumento das taxas de desemprego entre os jovens no Brasil.
Com efeito, a formação fornecida pelas Instituições de Ensino Superior - IES não tem correspondido muitas vezes à qualificação necessária para ingressarem no mercado de trabalho. Isso porque as necessidades específicas das empresas não são frequentemente levadas em consideração quando da elaboração dos conteúdos abordados pelo Projeto Pedagógico do curso de graduação pelas IES e regulamentado por Diretrizes Curriculares Nacionais. De acordo com a 3ª Pesquisa de Empregabilidade do Brasil de 2021, 43,1% dos egressos de cursos de graduação concordaram, total ou parcialmente, que a formação oferecida pelo curso está distante da realidade do mercado de trabalho.
Por outro lado, quando esses jovens são qualificados, essa qualificação por vezes não é valorizada pelo empregador, seja ele público ou privado. Isso implica tanto o desemprego como o subemprego, com salários desproporcionais à qualificação do empregado. No Brasil, essa desvalorização tem gerado a “fuga de cérebros” e, portanto, um prejuízo a longo prazo para o conhecimento científico e tecnológico produzido pelo país, em comparação com aquele produzido por países que reconhecem a importância dessa qualificação e para onde esse jovens migram.
Cumpre, portanto, aos Ministérios da Economia, da Educação e do Trabalho garantir o direito ao trabalho aos seus jovens cidadãos. Tal medida deve ser realizada por meio não apenas da adequação do Projeto Projeto Pedagógico dos cursos de graduação às exigências do mercado de trabalho como também de Políticas Públicas de valorização da qualificação que implique salários proporcionais a ela, a fim de atender às necessidades tanto dos empregadores como dos jovens cidadãos brasileiros.