As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 19/10/2023
Durante a Proclamação da República, em 1889, o jornalista Aristides Lobo resumiu a participação popular a de um observador bestializado, uma vez que esse evento foi excludente e elitista. Infelizmente, o processo de segregação persiste, pois os direitos, garantidos pela Constituição, não atingem a totalidade. Em face a esse cenário, o desafio dos jovens em ingressarem no mercado de trabalho evidencia o quanto desigualdade social e negligência do Estado reduzem a população a condição animalesca.
A princípio, a passagem da vida escolar para prática laboral exige uma preparação desconhecida pelos iniciantes, de modo que os empregadores buscam candidatos experientes e os jovens, em sua maioria de classes desfavorecidas, não tem acesso a capacitação que atenda as expectativas. Para o escritor Ariano Suassuna, “a injustiça secular dilacera o Brasil em dois países: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Nessa perspectiva, a população jovem, que não consegue emprego devido à falta de oportunidade tanto em profissionalização quanto em direcionamento, acaba desamparada. Dessa maneira, é estabelecido o cenário incerteza para os jovens.
Soma-se isso à passividade do governo em lidar com esse problema. Segundo o teórico político Thomas Hobbes, a relação entre Estado e cidadão define-se por um contrato, no qual a Instituição assume o compromisso de garantir o bem-estar. Todavia, isso não ocorre no Brasil, por causa apatia das autoridades em tornar a educação profissionalizante uma realidade, uma vez que não há preparação adequada para os jovens no ambiente escolar. Indubitavelmente, essa falha colabora para a persistência do problema.
Portanto, com base nos elementos supracitados, cabe ao Ministério do Trabalho em parceria com o da Educação estabelecer um ensino preparatório, por meio de adesão de cursos técnicos e profissionalizantes na matriz curricular, afim de promover a especialização adequada dos jovens. Assim, o passado de observador bestializado do brasileiro será apenas uma crítica em jornal.