As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 01/11/2023
A Constituição Federal de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6* o direito ao trabalho como inerente a todo cidadão brasileiro. Entratanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, dificultando, assim, a universalização desse direito social tão importante. Desse modo, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem este quadro.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Segundo as ideias do filósofo John Locke, o Estado viola seu ‘‘contrato social’’ quando falha em garantir que os cidadãos possam desfrutar de direitos indispensáveis. Nesse sentido, a realidade brasileira mostra-se vulnevável à essa violação, já que o Estado não se propõe a construir programas que instruam os jovens a se ingressarem no mercado de trabalho, causando o desemprego e o negligenciamento social desse grupo.
Ademais, é fundamental apontar a preferência das empresas em contratar pessoas experientes como impulsionador deste cenário. Segundo dados do IPEA, os jovens que nunca trabalharam tem 64% a menos de chance de conseguir um emprego em relação aos que ja trabalharam alguma vez. Nesse sentido, é notório que as empresas priorizam a produtividade para gerar lucro, e assim, acabam não se arriscando em contratar jovens inexperientes, pela compreensão deturpada de que irão lhes causar baixa produtividade e prejuízo.
Portanto, é necessário intervir sobre o problema. Para isso, é necessário que o Estado crie programas que auxiliem os jovens a se ingressarem no mercado de trabalho, ao mesmo tempo que incentiva as empresas a contratar jovens inxesperientes, para que haja a imersão profissional dessas pessoas, a fim de demonstrar o valor potencial desse grupo negligenciado. Tal ação pode, ainda, ser complementada com cursos profissionalizantes, para que se desenvolva habilidades necessárias para determinados cargos. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais empática, na qual o Estado cumpre seu ‘‘contrato social’’, tal como afirma John Locke.