As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 30/10/2024
A industrialização tardia, em comparação aos países desenvolvidos, ocorrida no Brasil durante as eras Vargas e Kubitschek, moldaram a dinâmica de trabalho no século XX. O desenvolvimento acarretou em uma maior alfabetização da população, que por sua vez se tornou uma mão de obra mais especializada. Apesar disso, a alocação de jovens e adultos nas vagas não se concretiza da forma esperada, gerando precarização e subempregos, consequências da informalidade exacerbada das relações trabalhistas e da saturação do mercado de trabalho.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, dizia que “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar sua saúde por qualquer outra vantagem.”. Encarando a frase célebre sob a ótica da sociedade brasileira contemporânea, muitos trabalhadores se veêm obrigados a aceitar relações trabalhistas informais, abrindo mão dos benefícios da formalidade, garantidos por lei. Essa realidade coercitiva sobre o empregado se dá pelo aumento de incentivos federais na decisão do empregador pela informalidade nos últimos anos, além da frustração do trabalhador ao se deparar com um mercado cada vez mais qualificado e saturado.
O trabalho informal e precário pode ser encarado como “a antessala do desemprego”, como citado pelo sociólogo brasileiro Ricardo Antunes. Em um efeito cascata, o trabalhador interrompe seus investimentos por qualificações profissionais ao perceber uma sociedade saturada de pessoas com as mesmas habilidades, e disputando por subempregos. A geração mais jovem, altamente capacitada, não encontra vagas que expressem uma remuneração justa ao tempo e capital investidos na sua formação. Como consequência, o desemprego impera, a economia não se diversifica, e o país se estagna como um mero exportador de matéria-prima.
Em síntese, as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho encontram sua gênese na ausência de amparo governamental, desde o século passado. Em vista disso, o Ministério do Trabalho deve propor benefícios fiscais à empresas que realizem contratação por meios formais, e deve realizar, ainda capacitação profissional em áreas estratégicas para economia nacional. Essas medidas devem solucionar a informalidade do trabalho e saturação do mercado.