As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 31/10/2024
A industrialização tardia, em comparação aos países desenvolvidos, ocorrida no Brasil durante as eras Vargas e Kubitschek, moldaram a dinâmica de trabalho no século XX. Dessa forma, o desenvolvimento acarretou maior alfabetização da população que, por sua vez, se tornou uma mão de obra mais especializada. Apesar disso, a alocação de jovens e adultos nas vagas não se concretiza da forma esperada, gerando precarização e subempregos, consequências da informalidade exacerbada das relações trabalhistas e da saturação do mercado de trabalho.
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, dizia que “O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar sua saúde por qualquer outra vantagem.”. Encarando a frase célebre sob a ótica da sociedade brasileira contemporânea, muitos trabalhadores se veem obrigados a aceitar relações trabalhistas informais, renunciando aos benefícios da formalidade, garantidos por lei. Essa realidade coercitiva se deu através da Reforma Trabalhista de 2017, que concedeu benefícios ao empregador na escolha da informalidade. Entretanto, o trabalhador acaba sendo acometido pela frustração da ausência de vínculos e direitos.
Ademais, trabalho informal e precário pode ser encarado como “a antessala do desemprego”, como citado pelo sociólogo brasileiro Ricardo Antunes. Em efeito cascata, o trabalhador interrompe seus investimentos por novas qualificações ao perceber uma sociedade saturada de pessoas com as mesmas habilidades, e disputando por subempregos. Assim sendo, a geração mais jovem, altamente capacitada, não encontra vagas que expressem uma remuneração justa ao tempo e capital investidos na sua formação. Por fim, o desemprego impera, a economia não se diversifica, e o país se estagna como um exportador de matéria-prima.
Em suma, a problemática trazida encontra sua gênese na ausência de amparo governamental, desde o século passado. Em vista disso, o Ministério do Trabalho deve agir junto ao Congresso Nacional, visando a criação de benefícios fiscais a empresas que realizem contratação por meios formais, além de capacitação de mão de obra para áreas estratégicas da economia. Essas medidas devem solucionar as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho.