As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 13/06/2025

Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Nesse sentido, o desinteresse do Estado bem como o silenciamento da problemática, sustentam esse quadro amargo.

Diante desse cenário, é importante destacar que o desinteresse do Poder Público ocorre porque o governo não enxerga retorno financeiro. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não toma medidas para garantir o ingresso dos jovens no mercado de trabalho, como projetos que assegurem o emprego estável após terminar o ensino médio, o que ocasiona, em grande escala, a ausência de oportunidades para os jovens, afetando o bem-estar.

Ademais, é importante salientar o emudecimento da questão. De acordo com Djamila Ribeiro - socióloga expoente brasileira -, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto a importância de facilitar a imersão dos jovens no âmbito profissional, tendo o objetivo de garantir que a população mais nova tenha a oportunidade de crescer e tornar o mercado brasileiro inovador, com muitas inovações e uma geração fluente em tecnologia. Desse modo, é inadmissível que em uma sociedade democrática o tema não seja amplamente discutido.

Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais em parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância de auxiliar os jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Tal medida tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar discussões sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.