As dificuldades para barrar o casamento infantil no Brasil
Enviada em 24/11/2022
“E viveram felizes para sempre” do conto Cinderela é o jargão sonhado por muitas mulheres no matrimônio. Entretando, a realidade brasileira demonstra um lado obscuro do casamento. Violência, pedofilia, pobreza e machismo. É nitido que o casamento infantil trás consequências funestas. E dentre suas causas pode-se citar a vulnerabilidade social e cultura social do abuso.
Primeiramente, a vulnerabilidade social é a raiz do problema. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, todos estes têm direito a condições dignas de existência. No entanto, nas periferias e cidades do interior do país observa-se justamente o oposto. Crianças que vivem em lares desestruturados pelas drogas, fome, conflitos familiares e negligência são vítimas fáceis do casamento infantil porque encaram nisso uma saída da situação degradante em que vivem.
Além do mais, a cultura social do abuso é hereditária. Conforme reportagem veiculada na TV Record, meninas filhas de mulheres que se casaram e tiveram filhos na adolescência possuem uma grande chance de seguir o exemplo de suas mães e também serem vítimas da pedofilia culturalmente aceita. Cultura esta que é baseada no machismo, pois coloca o homem como uma ser superior detentor do poder de transformar a realidade socio-financeira de sua “esposa”. Parafraseando Nelson Mandela, ninguém nasce com planos de se casar na adolescência, para que isso aconteça a criança precisa ser ensinada de que isso é algo “bom”, quando na verdade contribui para a perpetuação da miséria social do país.
Portanto, urge a necessidade de enfrentamento desta problemática. Sendo assim, o Governo Federal, através do Ministério da educação, deve promover, nas escolas públicas e privadas, esclarecimento sobre o que é o casamento infantil bem como suas consequências degradantes para a vida da criança. Utilizando palestras, rodas de conversa e reportagens de casos reais para exemplificação. E objetivando tornar os alunos conscientes das maneiras de vencer a vulnerabilidade social e a cultura machista ora dominante no país. Somente assim, com práticas acertadas as crianças e adolescentes poderão viver felizes para sempre bem longe o casamento infantil.