As dificuldades para barrar o casamento infantil no Brasil
Enviada em 12/01/2023
Em sociedades patriarcais conservadoras, como em alguns países africanos e do Oriente Médio, são comuns os casamentos infantis. Segundo a cultura local, meninas a partir dos 10 anos de idade, ou até menos, são dadas em casamento à homens bem mais velhos. Esta realidade pode parecer distante do Brasil, porém dados mostram que cerca de 65 mil meninas brasileiras com idades entre 10 e 14 anos estão casadas. Estes números apresentam a dificuldade que existe para barrar estes casamentos em pleno século XXI, o que leva ao aumento da evasão escolar e a perpetuação da pobreza.
Primeiramente, o aumento da evasão escolar das meninas e adolescentes que se casam prematuramente se deve ao fato destas não encontrarem apoio para continuarem os estudos. Também, muitas têm a concepção de que atingiram o alge social com o casamento. Além disso, as responsabilidades domésticas, gestações precoces e a inserção em um meio marcado pelo machismo, favorece para que elas não se interessem em voltar a escola. Desta forma, perpetua-se a desigualdade de gênero.
Outra consequência dos casamentos infantis é a perpeturação da pobreza, porque geralmente estas meninas e adolescentes pertencem a famílias em situação de vulnerabilidade. Logo, o casamento precoce passa a ser uma oportunidade de sobrevivência. Em contrapartida, estas uniões são em sua maioria entre pessoas com situações semelhantes. Considerando ainda o despreparo para enfrentar os problemas da vida adulta, não existe uma “melhora de vida”, mas apenas a multiplicação da miséria que passa de geração em geração.
Cabe ao Governo Federal em parceria às mídias, a exemplo televisão, rádio e redes sociais, garantir os direitos das crianças e adolescentes ao acesso à informação sobre educação sexual. Tal acesso será dado mediante palestras nas escolas, rodas de discussões em comunidades, além da divulgação de informações em diferentes canais. Esta difusão de conhecimento tem por finalidade alcançar um grande número de crianças e adolescentes, desta forma poderão identificar situações de abuso e violência. Logo, estarão mais conscientes sobre os males dos casamentos precoces, evitando a evasão escolar e garantindo um futuro melhor.