As dificuldades para barrar o casamento infantil no Brasil
Enviada em 23/05/2023
A série ‘‘Bridgerton’’ retrata o casamento infantil e a procura de debutantes por um marido. Nessa análise, infelizmente, o mesmo cenário de noivados é presente no Brasil. Nessa conjuntura, isso acontece não apenas pela ineficácia governamental, mas também devido à invisibilidade desse problema na sociedade. Desse modo, é necessário a retificação dessa mazela.
Em primeira análise, a falta de ações estatais contribuem para a recorrência de casórios infantis. Assim, o filósofo John Locke defende a teoria do Contrato Social, em que é obrigação estatal garantir o bem-estar social. Nesse viés, as autoridades não vão de encontro com as ideias de Locke, uma vez que são inertes no que tange à questão da união cônjuge. Com efeito, segundo dados da Unicef, o Brasil ocupa o quarto lugar em casamentos infantis no mundo. Dessa forma, os noivados com menores de idade propiciam a evasão escolar e a violência doméstica, por isso, o contrato de Locke é quebrado, devido à falta do bem-estar social. Por isso, é primordial que o governo cumpra a sua função social e invista em um sistema educacional que repudie matrimônios com menores de idade.
Outrossim, convém salientar o impacto da falta de exposição desse problema. Acerca disso, a filósofa Djamila Ribeiro alega que é necessário tirar da invisibilidade um problema para assim solucioná-lo. Nessa análise, a omissão de informações em meios de comunicação sobre o casamento infantil torna o tema invisível e insolucionável. Por consequência, enquanto faltar palestras e reportagens que destaquem a importância de uma união mais tardia, os noivados com menores de idade serão regra .
Portanto, o Ministério da Educação - órgão responsável pela educação no país - deve adicionar à grade curricular estudantil aulas que destaquem a importância de casamentos somente após os dezoito anos. Assim, essa ação será oficializada por meio de um projeto de leis entregue à Câmara dos Deputados, a fim de garantir uniões mais tardias. Além disso, os meios de comunicação devem publicar lives que conscientizem as crianças sobre a importância de um matrimônio responsável, semanalmente, por meio dos influenciadores digitais. Somente assim o cenário exposto em ‘‘Bridgerton’’ deixará de ser realidade no Brasil.