As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 22/09/2025

Em Vidas Secas, Graciliano Ramos mostra como a natureza pode decidir o rumo da vida das pessoas. De certa forma, o Brasil atual vive algo semelhante: as florestas, essenciais para o equilíbrio climático, estão cada vez mais ameaçadas pelas queimadas. Esse cenário revela dois grandes obstáculos para conter o problema: a dificuldade de fiscalização e a falta de consciência ambiental em parte da sociedade.

O primeiro desafio é a fiscalização. O país tem dimensões continentais e muitas áreas de floresta ficam distantes dos centros urbanos. Órgãos como o IBAMA e o ICMBio não contam com equipes e recursos suficientes, o que abre espaço para práticas ilegais, como o uso do fogo para o agronegócio e a grilagem de terras. Mesmo com alertas vindos de satélites, a resposta do Estado costuma ser lenta.

O segundo ponto está na forma como muitos ainda enxergam a floresta. Para parte da população, ela é apenas um recurso econômico imediato. Nessa lógica, o fogo parece um “atalho” para abrir espaço, mas os danos ultrapassam a terra queimada: afetam o clima, ameaçam espécies e prejudicam a saúde até de quem vive nas cidades. Sem uma mudança de mentalidade coletiva, as queimadas continuarão a se repetir.

Diante disso, algumas ações são urgentes. O governo precisa fortalecer os órgãos de fiscalização, ampliando o número de fiscais e investindo em tecnologia de monitoramento. Além disso, escolas e meios de comunicação devem promover campanhas que mostrem como preservar a floresta é, na prática, cuidar do ar, da água e da qualidade de vida de todos. Somente com esse esforço conjunto será possível frear as queimadas e garantir que as florestas brasileiras sigam vivas para as próximas gerações.