As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 22/09/2026
O Brasil, que abriga a maior floresta tropical do planeta, assiste, ano após ano, à destruição silenciosa de seus biomas pelo fogo. As queimadas, longe de serem fenômenos naturais isolados, tornaram-se uma crise ambiental recorrente que, em 2024, devastou milhões de hectares na Amazônia e no Pantanal. Diante desse cenário, torna-se urgente a resolução desse problema. Nesse sentido, a dificuldade em frear as queimadas decorre, principalmente, da união entre interesses econômicos predatórios e dos efeitos agravantes das mudanças climáticas.
Primeiro, o fogo muitas vezes é usado de propósito. Quem quer abrir pasto ou plantar em áreas de floresta derruba a mata e queima o que sobrou. Essa prática antiga, chamada de “roço e queima”, rende lucro rápido, mas destrói em poucos dias o que a natureza levou décadas para construir. Para mudar essa realidade, é preciso tornar a preservação mais vantajosa do que a destruição. O governo pode oferecer incentivos e crédito barato para quem produz de forma sustentável, como a pecuária em áreas já abertas e a agricultura de baixo impacto. Assim, quem hoje lucra com o fogo passaria a lucrar mantendo a floresta viva.
O problema fica ainda pior com a mudança do clima. As secas estão mais longas e o calor mais forte, e o ar seco faz o fogo se espalhar com rapidez e escapar do controle. Há incêndios que queimam o topo das árvores e outros que ardem debaixo da terra, por semanas. Por isso, é essencial investir em prevenção e em brigadas de combate bem equipadas, com as pessoas treinadas para apagar as chamas no início. Além disso, parar de desmatar favorece o equilíbrio do clima: com mais floresta preservada, há mais chuva e umidade, e o fogo perde força.
A saída, portanto, exige união de esforços. O governo deve usar satélites para vigiar as áreas em tempo real e punir de verdade quem desmata, enquanto as empresas e a sociedade precisam valorizar quem produz sem destruir a floresta. Quando preservar a natureza valer mais do que queimá-la, o fogo perderá a força. Só com Estado, mercado e cidadãos trabalhando lado a lado será possível proteger as matas e garantir um futuro mais seguro para o Brasil e para o planeta.