As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 20/09/2024

Na mitologia grega, Cassandra, é uma sacerdotisa com o dom de ver o futuro, mas vítima de uma maldição que faz com que ninguém acredite em suas profecias. Na contemporaneidade, muitos ambientalistas têm alertado a sociedade sobre a necessidade de combater as queimadas nas florestas. No entanto, como Cassandras modernas, seus avisos são ignorados e, como consequência, o Brasil segue com dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas. Dessa forma, convém analisar a banalização do descumprimento da lei e a falta de conscientização social como pilares fundamentais da problemática.

A princípio, é fulcral pontuar que a ineficácia legislativa influi fortemente na consolidação da problemática. De acordo com Maquiavél, “mesmo as leis ordenadas são impotentes diante dos costumes”. De fato, tal impotência é nitída nos casos das queimadas florestais, que apesar criminalizadas por lei, persistem em função da lacuna da fiscalização e da punição legal, permitindo que os criminosos fiquem impunes. Assim, devido a falta de punição, população não enxerga essas atitudes ilegais como um crime real, o que faz com que as pessoas não denuncie e continuem praticando essas queimadas.

Outrossim, vale, ainda, ressaltar a liquidez das relações sociais como impulsionadora do problema. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vívida no século XXI. Desse modo, as queimadas florestais afirma a fragilidade das relações, uma vez que muitas pessoas colocam fogo nas florestas para desmatar seus terrenos de forma rápida e sem gasto ou para desmatar uma área, a qual, é proibido mexer na sua vegetação. Dessa forma, torna-se evidente que as pessoas só estão pensando nos seus interesses independente dos danos causados ao meio ambiente.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para coibir o problema. Logo, o Estado, por meio do poder executivo, deve aumentar a investigação dos casos de crimes de incentio à mata, a fim de punir os criminosos e fazer esse crime sair da banalização. Dessa maneira, a lei estaria efetivamente sendo colocadas em prática e traria a conscientização da gravidade desse crime que não ficaria impune.