As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 29/09/2024

Escrito pelo romântico José de Alencar, o livro “Iracema” retrata a exuberância da fauna e da flora brasileira. Ao transpor o campo artístico, nota-se que tal natureza encontra-se ameaçada pelas crescentes queimadas nas florestas. Nesse prisma, faz-se necessário pontuar a importância de combatê-las, bem como o que impede, de fato, seu fim.

Com efeito, é necessário pontuar que todos os brasileiros possuem o direito de ter um ambiente ecologicamente equilibrado, algo que não ocorre devido às queimadas atuais. Nesse sentido, é válido lembrar José Murilo de Carvalho, historiador brasileiro, ao afirmar que a cidadania plena somente pode ser alcançada com a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis, e não com a sobreposição deles, isto é, quando o pilar civil não pode ser alcançado, devido as queimadas - principalmente causadas pelo avanço do desmatamento e a ampliação das áres de pastagens -, a cidadania não pode ser exercida. Com isso, tem-se uma população totalmente à mercê de um “barril de pólvora” que coloca em risco toda a fauna e flora brasileira.

Ademais, faz-se impreterível afimar que a principal dificuldade em frear as crescentes queimadas no Brasil é o histórico desinteresse político em contê-las. Isso ocorre porque o desenvolvimento social, inclusive no tocante ambiental, depende da força das instituições nacionais, as quais, em sua maioria, estão corrompidas pelo patrimonialismo, ou seja, pela cultura de gerir o Estado como patrimônio privado para ganhos próprios. Essa teoria foi estudada pela historiadora Lília Schwarcz e mostra que, à medida que a postura política de priorizar interesses pessoais se enraíza, as dificuldades para garantir um ecossistema equilibrado são acentuadas. Como exemplo dessas ausências, tem-se um país que, mesmo sendo uma das 20 maiores economias (segundo o FMI), aumentou em 60 por cento suas queimadas em um ano (segundo o INPE).

Portanto, faz-se necessário frear as constantes queimadas nas florestas brasileiras. Para isso, o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério do Meio Ambiente, deve criar um órgão unicamente para a fiscalização e combate de tais pertubações ambientais. Tal ação ocorrerá por meio da implantação de um Projeto de Preservação Ambiental, o qual irá atuar como instrutor teórico para o órgão competente. Isso será feito a fim de garatir um meio ambiente saudável e estável para todos os brasileiros. Afinal, todos deveriam sentir, ao menos uma vez, a natureza imortalizada nos versos de Alencar.