As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 20/10/2024
Na animação norte-americana “Wall-e”, retrata-se um cenário futurista do sistema capitalista, em que a Terra se encontra inabitável pelo alto índice de crises climáticas geradas pela ação antrópica. Assim como na ficção, são nítidos os empecilhos para a diminuição das queimadas nos biomas florestais brasileiros. Logo, é uma realidade o egoísmo social oligarca e a negligência governamental.
Diante desse cenário, é evidente o individualismo capitalista no social brasileiro. Nessa perspectiva, Hannah Arendt filósofa do conceito “Banalidade do mal”, afirma que as atitudes cruéis se tornaram parte do convívio social e se banalizam na sociedade cada vez mais hostil. De maneira análoga ao pensamento de Arendt, a discussão acerca da preservação ambiental e sustentabilidade no contexto do liberalismo econômico brasileiro, embora sejam relevantes para a diminuição de desastres socioambientais, não recebem a devida atenção, haja vista o descaso estatal em relação à fiscalização da expansão predatória do agronegócio, bem como à manutenção do modelo de exploração do campo. Dessa forma, enquanto o egocentrismo prevalecer, o Brasil continuará enfrentando crises ecossistêmicas.
Ademais, é válido ressaltar a omissão do Estado brasileiro aos impactos florestais. Nesse viés, de acordo com a Constituição federal, promulgada em 1988, art.225 garante, como direito social, um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Sob essa lógica, a partir do código constitucional, o Estado precisa não apenas criar órgãos de fiscalização ambiental, mas também assegurar a destinação de verbas públicas para o funcionamento de projetos ambientais voluntários. Desse modo, nota-se que no Brasil há uma grave ruptura na ordem constitucional.
Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que no Brasil às queimadas florestais ainda representam um obstáculo significativo. Urge, portanto, que o Ministério do Meio Ambiente -órgão responsável pela proteção ecológica brasileira- faça o reforço de corpos ambientalistas em terras demarcadas e promova subsídios voltados para a preservação ambiental, por meio de aprovações constitucionais e verbas estaduais, para que haja a diminuição dos impactos na biodiversidade brasileira. Pois, somente assim, o Brasil poderá ter um cenário ecológico diferente de “Wall-e”.