As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 17/10/2024
O livro “O cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a dificuldade de frear as queimadas nas florestas afeta a sociedade como um todo e traz graves consequências sociais. Assim, seja pela estagnação social, seja pelo aspecto sociocultural, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Nesse viés, é necessário salientar que o silenciamento social é causa evidente dessa problemática. A respeito disso, a cronista brasileira Martha Medeiros teceu uma crítica social em uma de suas obras, quando afirmou que “silenciamos aquilo que não queremos que venha à tona”. Sobre isso, pode-se inferir, em relação as crescentes queimadas nas florestas, que o poder público não dá a devida atenção ao problema para que não seja preciso lidar com os pormenores desse entrave, haja vista que tenha muitas pessoas colocando fogo nas florestas. Sendo assim, sem o papel educacional do Estado, a sociedade não tem conhecimento sobre o assunto e, dessa forma, fica impedida de desempenhar um papel atuante e auxiliar o poder público na busca por soluções.
Ademais, observa-se que a influência dos aspectos socioculturais reforça de forma intensiva o entrave. Na visão de Émile Durkheim – expoente sociólogo francês – os valores sociais moldam a identidade e o comportamento do ser humano. De fato, a ação do indivíduo referente a dificuldade de frear as queimadas, resulta de um pensamento coletivo errôneo, visto que não ajudam a apagar os fogos de maneira correta. Assim, urge que a base sociocultural seja revista para que o comportamento da sociedade contemporânea mude, conforme defendido por Durkheim.
É urgente, portanto, uma intervenção pontual. Dessa maneira, é dever da mídia - grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião- discutir sobre a questão da queimada. Tal ação deve ocorrer por meio de documentários e de reportagens, os quais retratam, de maneira fidedigna, a seriedade do entrave, com o intuito de reduzir os estereótipos em relação ao assunto.