As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 20/10/2024
Manoel de Barros, renomado poeta pós-modernista, trouxe em suas obras o conceito de “teologia do traste”, atribuindo valor a situações frequentemente ignoradas pela sociedade. Sob a ótica barrosiana, torna-se essencial abordar os entraves para o combate das queimadas florestais no Brasil. Dessa forma, é crucial analisar tanto a negligência estatal quanto a invisibilidade temática que agravam a situação.
Diante disso, em primeira análise, é fundamental destacar a falha da atuação estatal frente ao problema. O sociólogo Raymundo Faoro descreve o sistema político brasileiro como um aparato burocrático e ineficaz. Essa avaliação é pertinente no combate à devastação ambiental, uma vez que o aumento nos incêndios florestais contribui para ruína do maior patrimônio mundial, o extenso território natural brasileiro. Como resultado, pode-se constatar a desregulamentação no contexto ambiental, enfraquecendo um dos pilares da Constituição Federal de 1988, o direito ao equilíbrio ambiental.
Ressalta-se, ademais, que a inércia social em relação a essa questão contribui significativamente para a falta de medidas efetivas. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria da ‘Banalidade do Mal’, o imobilismo perpetua o descaso ambiental, resultando na manutenção de condições precárias para os cidadãos. Assim, a ausência de mobilização social diminui a capacidade de implementar ações concretas, consolidando a estagnação diante de questões urgentes e comprometendo o progresso necessário para a melhoria das condições de vida da população
Portanto, a fim de conter as queimadas do ecossistema brasileiro, é fulcral que o Poder Executivo em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, implemente medidas rigorosas de fiscalização e controle dos incêndios por meio do fortalecimento de políticas de proteção, como o rastreamento em tempo real das queimadas para contenção e punição dos responsáveis. Espera-se assim maior preservação da vegetação nativa brasileira, promovendo a manutenção e recuperação da biodiversidade.