As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras
Enviada em 01/11/2024
Em seu livro de memórias, a “ubermodel” Gisele Bundchen descreve seu papel como ambientalista no controle de queimadas da região Amazônica. Nesse intérim, a artista faz uso de sua posição social para evidenciar as dificuldades na contenção dos crescentes focos de calor nas florestas nacionais, demonstrando que esse impasse ambiental prejudica a biossegurança dos ecossistemas. Dessa forma, cabe a análise das duas principais vertentes que fomentam a problemática: a expansão da fronteira agrícola bem como a passividade dos agricultores e pecuaristas.
Cabe destaque, sobretudo, o aumento no número de queimadas devido ao avanço da fronteira agrícola a partir dos anos 1990. Em outras palavras, segundo a filosofia contratualista de Thomas Hobbes e John Locke, o capitalismo prioriza o lucro em detrimento de valores. Sob essa ótica, o desenvolvimento da agricultura intensiva em locais como o Cerrado e a Amazônia promoveu o aumento dos focos de calor devido a retirada da cobertura vegetal. Desse modo, correlaciona-se que as empresas estruturadas em base capitalista restringem o uso do solo a fins lucrativos, limitando o meio ambiente de bioética pelo ataque à biodiversidade.
Além disso, a passividade dos agricultores e pecuaristas frente às questões ambientais também dificultam a contenção das queimadas nos ecossistemas da nação. Nesse prisma, é conveniente trazer à tona o conceito de Desconto Futuro, no qual o pensador Anthony Giddens afirma que a sociedade tende a postergar ações que visem um porvir seguro em prol de assuntos presentes, caracterizando um viés hostil e imediatista. Com isso, analogamente, os lavradores não se preocupam com a manutenção da fertilidade do solo, apenas mercantilizam a natureza para a garantia rápida de receita fiscal, verificando a teoria do pensador.
Assim, notam-se as dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras. Portanto, cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União), a promoção de incentivos fiscais a instituições como o Ministério da Educação - órgão responsável pelo desenvolvimento crítico da população. Para tanto, isso pode ser feito mediante investimentos em palestras de letramento, pois, assim como afirma a professora Magda Soares, essa prática educativa visa a conscientização social para além dos processos alfabetizadores. Logo, a educação ambiental será adquirida.