As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 07/03/2025

Ricardo Galvão (ex-diretor do INPE) afirmou: “O desmatamento e as queimadas não são fenômenos naturais; são ações humanas ligadas à grilagem e à exploração ilegal de terras.” Contudo, a solução para reduzir as queimadas não depende apenas do combate direto ao fogo, mas também da mitigação das ações humanas, visto que, ainda, há dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras. Nesse sentido, é imprescindível analisar os fatores que impulsionam essa problemática.

Sob essa perspectiva, é válido ressaltar a impunidade como fator agravante do problema. Em 2021, o orçamento do IBAMA e do ICMBio para fiscalização ambiental foi o menor em duas décadas. Dessa forma, sem investimentos adequados nesses órgãos, as operações contra crimes ambientais tornam-se limitadas, intensificando ainda mais o desmatamento e os incêndios florestais causados pela negligência humana. Como exemplo da falta de fiscalização, pode-se citar a Operação Verde Brasil, que, apesar de ter sido criada para combater queimadas, foi criticada por sua ineficácia devido à ausência de fiscalização contínua e punições rigorosas.

Ademais, é fundamental destacar as mudanças climáticas e os períodos de seca como agravantes dessa questão. Em 2023, foi registrado um aumento de 77% nas queimadas na Amazônia durante um período de estiagem extrema. Assim, é evidente que o aumento das temperaturas e a intensificação da seca tornam as florestas mais vulneráveis ao fogo, dificultando, fortemente, o combate aos incêndios e ampliando seus impactos ambientais.Um modelo desse fenômeno ocorreu no Pantanal, em 2020, quando a região enfrentou a pior seca em 50 anos. Os incêndios devastaram cerca de 30% do bioma, destruindo habitats naturais e causando a morte de milhares de animais.

Portanto, pode-se inferir que o tema é relevante e demanda soluções urgentes. Cabe ao governo – órgão administrativo máximo do país – reforçar a fiscalização e combater a impunidade por meio do aumento do orçamento destinado aos órgãos ambientais e da aplicação rigorosa das leis ecológicas. Espera-se, com isso, superar as dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras.