As dificuldades para frear as crescentes queimadas nas florestas brasileiras

Enviada em 01/04/2025

No que concerne a natureza, o filósofo grego Aristóteles afirmou que esse meio não faz nada em vão. Embora verdadeira, tal máxima se mostra ignorada pela sociedade brasileira e pelos seus governantes que encaram com surpresa aconte-cimentos de queimadas florestais e as interpretam como fenômenos atípicos, quando, na realidade, são efeitos de um sistema social desordenado. Nesse senti-do, esse panorama é oriundo de fatores políticos atrelados às questões culturais que permeiam o país.

Sob um prisma inicial, aponta-se para a exiguidade de ações governamentais com um preponderante fator fomentador das dificuldades de enfrentamento das quei-madas de florestas. Por essa ótica, mediante a Constituição de 1988, em seu artigo 225, o meio ambiente é um bem de uso comum do povo e que todos têm direito a ele ecologicamente equilibrado. Entretanto, percebe-se, contemporaneamente, um descompasso com a Carta Magna, na qual os esforços governamentais para conter os incêndios se mostram mínimos. Nessa perspectiva, tal situação é observada de-vido à baixa fiscalização do cumprimento de leis ambientais além da corrupção econômica envolvida com os grande agentes criminosos por trás das queimadas.

Ademais, ante uma égide secundária é fundamental entender a barreira cultural existente. Por esse ângulo, a filósofa alemã Hannah Arendt, a partir do conceito de ‘‘banalidade do mal’’, explicita que uma atitude negativa efetuada inúmeras vezes se torna invisível. Nesse viés, sendo em sua origem uma colônia de exploração, ocorreu, no Brasil, desde seu princípio uma busca incessante por matéria bruta de forma descomedida, ocasionando um enraizamento dessa cultura e que hodiernamente culmina em queimadas para a retirada de suprimentos.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater as queimadas existentes nas florestas brasileiras. Destarte, cabe ao governo, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, fiscalizar o cumprimento das leis ambientais vigentes, objetivando a diminuição gradativa de incêndios florestais no território brasileiro. Dessa maneira, uma sociedade mais ciente das razões da natureza como afirma Aristóteles, concretizar-se-á.