As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 18/09/2019

A série “Sob Pressão”, da emissora Rede Globo, traz a narrativa de uma equipe de médicos que, dentro da saúde pública brasileira, encontra várias dificuldades relacionadas ao atendimento de pacientes necessitados e seus tratamentos. Ainda no cenário Brasil, é também necessário dar voz aos problemas encontrados no sistema de saúde enfrentados pelas minorias, tanto no quesito gênero e sexo, como a população de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, quanto monetário, como indivíduos carente de recursos. Diante desse impasse, é preciso entender o porquê o cuidado com essa parcela da população é feito com descaso e quais suas consequências.

Em primeiro lugar, é imprescindível analisar as causas pelas quais LGBT’s e outros grupos compostos por minorias são excluídos e menosprezados dentro da saúde pública do Brasil. Segundo um artigo relacionado à saúde de minorias sexuais, realizado no Nordeste e publicado no site Periódicos Eletrônicos em Psicologia, essas pessoas comumente se deparam com despreparo da equipe médica em prover o atendimento específico que precisam, além de serem vítimas do preconceito por sua orientação sexual. Assim, é automático que essa comunidade evite a visita regular aos centros de saúde, provocando afastamento não desejado pela falta de acolhimento.

Ademais, o grupo de pessoas localizadas em zonas rurais não tem o mesmo acesso à saúde quanto moradores de centros urbanos. O que comprova isso são os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, nos quais apenas 7,7% dessa população não tem direito a um plano de saúde, enquanto no ambiente urbano esse número sobe para 33%. Diante dessa perspectiva, esses cidadãos permanecem sem informações importantes ou acompanhamento médico devido à distância física dos polos, não sendo essa uma justificativa plausível pois, como assegurado na Constituição de 1988, é dever do Estado fornecer saúde de qualidade para todos.

Em suma, algumas medidas são necessárias a fim de atenuar as problemáticas supracitadas. É papel das universidades públicas e privadas fornecer, durante os cursos de saúde, informação e conhecimento de como tratar e cuidar das especificidades dos grupos da sociedade brasileira, a fim de reaproximar essas minorias dos programas de saúde pública. Além disso, é dever do Ministério da Saúde, em conjunto com o Sistema Único de Saúde, criar postos e unidades básicas em localidades mais afastadas dos centros urbanos, além de atendimentos móveis capazes de realizar o transporte e atendimento a pessoas que não tem condições de ir até esses lugares; assim, a área rural proverá a mesma qualidade de serviço que a urbana. Dessa forma, o impasse será combatido de maneira precisa e democrática.