As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 30/08/2019

No poema dramático “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo, o narrador personagem, Severino, vive uma vida miserável no sertão nordestino, ele presencia a fome e o descaso governamental. Nessa perspectiva, Severino tenta suicídio ao jogar-se no Rio Capibaribe. Fora da ficção, é notável a exclusão das minorias no contexto da saúde pública. Assim, questões raciais, sociais e de gênero acabam tornando-se barreiras para a garantia do direito à saúde pública presente na Constituição de 1988. Dessa forma, é mister mudar essa perspectiva.

Nesse contexto, uma pesquisa realizada pela University College London afirmou que a chance de grupos africanos desenvolverem doenças mentais é cerca de 4 vezes maior em comparação a população branca. Tal dado demonstra que a questão racial é determinante na saúde pessoal. No Brasil, a situação não é diferente, de acordo com o Ministério da Saúde, a população negra está mais vulnerável a doenças como DST’s, mortes violentas e doenças psíquicas. Esse fato é  proporcionado pela herança escravocrata imperial que não articulou a inserção dos negros de forma igualitária, o que gerou exclusão e impactos na saúde desse grupo.

Ademais, segundo Durkheim o fato social determina uma forma comportamental, ou seja, médicos da saúde pública que vivenciam em seu contexto preconceitos e estigmas passam a ser influenciados por esses fatos sociais. Desse modo, sabe-se que a população LGBT+ sofre exclusão pelos médicos, visto que esses não estão preparados socialmente para atender esse grupo repreendido socialmente.

Destarte, é notável a necessidade de mitigar as exclusões sociais que impactam na saúde dos brasileiros. Para isso, é necessário que o Ministério da saúde e os poderes midiáticos façam campanhas para socialização de informações a favor da inclusão de minorias, por meio de entrevistas a grupos LGBT+ e minorias raciais para que esses mostrem a realidade da saúde pública. Assim, ficções com “Morte e Vida Severina” não se tornaram realidade e a saúde pública será garantida a todos.