As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 01/09/2019
Atualmente, o Brasil é atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), modelo criado em 1988, na baseado nos pilares britânicos. Entretanto, o jovem sistema já apresenta e falhas em seu funcionamento, exemplo disso é o sucateamento de hospitais de referências, demonstrado pela insatisfação de seus usuários: 60% da população brasileira demonstra infelicidade com o SUS, de acordo com o Instituto Datafolha, em 2016. Se as metrópoles brasileiras e seus cidadãos incluídos em grupos majoritários sentem o drama da ineficácia das políticas de saúde pública, grupos minoritários não gozam nenhum resquício do direito ao acesso à saúde, promulgado na Declaração dos Direitos Humanos em 1984.
Se antes do período de exploração colonial brasileiro o país era composto essencialmente de povos indígenas, o cenário atual demonstra que tal grupo hoje é ínfimo, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os primeiros habitantes do país representam 0,47% da população atual. Dessa maneira, vivendo em regiões afastadas, os índios quase não gozam de nenhum tipo de assistência à saúde, seja pela rara chegada de equipamentos e profissionais em tais lugares ou pela especificidade que essa população possui: a fixação de residência em locais descentralizados faz com que os indígenas contraiam patologias diferentes das que são vistas em cidades de maior porte, dessa forma, necessitando de atenção especializada. Além disso, o raro contato com o ambiente externo faz com que o sistema imunológico dessas pessoas não tenha resistência para doenças comuns, colocando em risco suas vidas mediante contato sem planejamento.
Em contrapartida, vivendo polos urbanos, a parcela da população que usa da prostituição como meio de sobrevivência também vê seus direitos e o acesso á saúde pública tornarem-se escassos. Entretanto, a distância que impede a utilização dos serviços públicos por essas pessoas não é física. Trata-se de um caminho imaginário repleto de obstáculos reais: o preconceito, a inexistência de programas voltados para essa demanda e suas especificidades. Além disso, é necessário que, além do enfoque voltado as patologias relacionadas ao sexo, as ações para este público sejam multidisciplinares, para que o acolhimento ocorra de forma integral.
Urge, portanto, a necessidade de criação de uma pasta específica para ações destinadas aos grupos minoritários pelo Ministério Saúde, organizando ações de logistica, campanhas direcionadas e estudos especificos para cada parcela populacional. Além disso, cabe ao Ministério da Educação regulamentar a obrigação de disciplinas em cursos de saúde que contemplem a necessidade social específica, bem como as especificidades das patologias de grupos que vivem fisicamente ou socialmente afastados.