As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 05/09/2019

Em 1338-40, o pintor Ambrogio Lorenzetti pintou um afresco com o título “Como é feliz uma cidade com um bom governo”. As obras de Lorenzetti, pintor da cultura gótica, foram triviais para a discussão e estudos sociais, políticos e econômicos da época. Ao transpor a temática da exclusão social e seus impactos na saúde pública, é nítido que a genialidade do autor artista contrasta, profundamente, com o cenário sociopolítico nacional, uma vez que, a ausências de medidas interventivas Estatal quanto a temática, somado com o distanciamento do olhar coletivo com prática discriminatória potencializam a mazela. Ora, o Brasil retrata uma tela desfigurada.

Ao principiar tal visão, é válido ressaltar que os princípios doutrinários que conferem legitimidade ao SUS são a universalidade, a integralidade e a equidade. Contudo, a tenacidade da displicência Estadual em ações afirmativas contra o preconceito acometido contra prostitutas, mendigos, homossexuais e outras minorias, reflete, sem desvios, no egresso dos excluídos sociais do sistema público de saúde, principal fator que suscita o agravamento da saúde desses membros. Desse modo, essa ferramenta que auxiliaria no fortalecimento da democracia acaba não sendo desenvolvida.

Ademais, outro fator que corrobora para a mazela é a ausência de concepções e de uma formação por parte da sociedade. De acordo com Erasmo, não há nada de tão absurdo que o hábito não o torne aceitável. Dessa forma, é notório que a sociedade tomou por hábito o sentimento de exclusão das minorias sociais que se nutre com suspensão temporária dos mesmos das sanções sociais. Os efeitos estão vislumbrados nos altos índices de problemas psíquicos nos que estão às margens da sociedade e na propensão desse grupo em desenvolver depressão, de acordo com estudo da University College London. Ora, a sociedade  se encontra culturalmente primitiva em relação as práticas da cidadania.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que menorize o desfoque da sociedade brasileira. Para tal, o Ministério da Cidadania deverá priorizar a formação na educação em direitos humanos de agentes públicos e sociais, abrangendo o sistema de saúde por meio de atividades extracurriculares, com palestras sobre a temática, a fim de promover a discussão e a sensibilização dos profissionais quanto as minorias. Somado a isso, o Ministério da Saúde associado à ONGs, deverão elaborar projetos de ampliação de tratamento de problemas psíquicos, por intermédio de CAPS com atividades específicas para o grupo, como grupos de apoio com a finalidade de compartilhamento de experiências. Além disso, a mídia, precisará promover campanhas publicitárias por meio da conscientização e alerta das consequências sociais do preconceito, com o intuito de propiciar a democracia e cidadania.