As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 15/09/2019
Na obra Harry Potter, o personagem Lorde Voldemort e seus seguidores são conhecidos por atos criminosos dirigidos aos trouxas e bruxos mestiços, tais ataques têm como princípio a exclusão daqueles e a crença na superioridade desses. Tal como na obra, na sociedade brasileira a exclusão é empregada sistematicamente contra os grupos tidos como minorias. Isso afeta o acesso ao sistema de saúde pela falta de profissionais capacitados e à formação de nível superior na área da saúde.
A universalização é um dos princípios do SUS e preconiza que todos devem ter acesso às ações e serviços garantidos independentemente de sexo, raça e outras características. Portanto, o profissional de saúde ao atender de forma violenta um usuário negro ou LGBT está negando o direito desse e quebrando um princípio do SUS. Ademais, os grupos tidos como minoria, principalmente os negros correspondem ao maior público do sistema, segundo dados do Ministério da Saúde. Consequentemente, estão mais vulneráveis aos tratamentos inadequados que podem afetar sua saúde mental e provocar a não procura pelo serviço.
As violências que afetam esses grupos sociais também dificultam seu acesso aos cursos de ensino superior na área da saúde. Segundo o Censo da Educação Superior de 2017, os cursos da área da saúde ainda possuem, por exemplo, minoria racial dentre os estudantes matriculados. Nesse sentido, a violência é materializada pela baixa representatividade do grupo nesses cursos, uma vez que é a presença desses grupos nos espaços acadêmicos e hospitalar, enquanto profissionais, que fomenta as discussões a respeito das violências sofridas pela população. Logo, as políticas que possibilitem acesso desse grupo ao ensino superior ainda representam um desafio ao governo.
É evidente que o governo brasileiro implementou políticas que facilitam o ingresso de algumas minorias sociais à universidade. Contudo, é importante que o Ministério Público fiscalize, através de ouvidorias para denúncias, o sistema de cotas já vigente para garantir o acesso desses grupos à educação de nível superior. Além disso, o atual sistema de cotas deve ser implementado para que sejam incluídos travestis e transsexuais ao acesso, visto que segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) apenas 0,02% dessa população tem acesso ao nível superior.