As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 15/09/2019

No terceiro período do romantismo Brasileiro, Castro Alves em seu poema “O Navio Negreiro” retrata as relações desumanas no qual o preto era figurado diante dos europeus e as condições físicas e psicológicas em que os escravos africanos, vindo da África, eram tratados na locomoção marítima. Apesar do passar de tempo, as consequências da discriminação para com as minorias respaldam no cenário de saúde pública. Diante desse tema, a discriminação racial e de gênero representam grupos predispostos a ter a saúde afetada.

A priori, é factível ressaltar a influência negativa da sociedade no que tange às minorias e seus respectivos estado de saúde. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde (MS), jovens negros têm 45% maior taxas de suicídios do que brancos. A partir de tal dado, é evidente que as dinâmicas sociais, na hodiernidade, proporcionam uma desigualdade de tratamento na sociedade, promovido pela segregação, ódio e o preconceito diante dos pretos, consequentemente causando maiores problemas psicológicos e pensamento suicida. Destarte, não obstante o racismo ter uma influência histórica do período escravista, as discriminações da modernidade contribuem para piorar o estado da saúde pública para com esses grupos minoritários.

Ademais, a desigualdade de gênero também afeta diretamente o sistema de saúde pública. Segundo pesquisa divulgada pela revista EXAME, uma em cada quatro mulheres, em 2018, sofreram algum tipo de violência doméstica. Embora o Governo tenha criado projetos que visem ajudar a saúde das mulheres que sofreram agressão -Lei do minuto seguinte- a legislação Brasileira não tenta solucionar a motriz da problemática: prevenir o machismo estrutural que ocasiona a violência. Dessa forma, a negligência do Estado em alertar e informar sobre a violência doméstica corrobora para o malefício da saúde mental e física das mulheres.

Urge, desse modo, medidas do Governo Federal que atuem no intuito de impedir as causas das discriminações. Para isso, é fundamental que o Governo Federal (Ministério da Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos) crie um projeto pró-minoria, no qual ofereça hospitais com atendimento psicológico e contra pacientes agredidos a fim de oferecer uma estrutura de saúde para com as pessoas vulneráveis. Além disso, deve-se criar programas midiáticos e comerciais que informem as atitudes machistas, em um ambiente doméstico, e ensine o respeito às mulheres com o objetivo de alertar e informar sobre os perigos que as minorias enfrentam. Logo, esse projeto deve ter apoio dos Governos Estaduais e Municípios, que garantam o uso devido da verba pública e ofereça infraestrutura de qualidade na criação dos centros hospitalares para o funcionamento das redes de atendimento.