As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 17/09/2019
Como referido por Isaac Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes aja sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, infelizmente, o hodierno cenário das diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro: uma inércia que perdura em detrimento da homofobia, além da prática de violências físicas ou psicológicas intencionais, mais conhecida como bullying. Sendo assim, convém ressaltar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a essa problemática não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Analogamente, de acordo com o filósofo Rousseau, o homem nasce livre, porém, se encontra acorrentado por toda parte; isso se evidencia devido ao preconceito ainda impregnado na sociedade, principalmente quando se refere ao homoafetivo. Elucidando, pode-se citar uma pesquisa publicada pela revista Super Interessante, em 2019, na qual foi relatado que o Brasil desperdiça quase 19 milhões de litros de sangue por não permitir que homens gays doem sangue - a menos que passem doze meses sem relações sexuais. Outrossim, tal conjuntura traz consigo o aumento do déficit nos estoques de sangue, seguindo abaixo do estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Faz mister, ainda, salientar o bullying como impulsionador do problema exposto. Ademais, Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis relatou em suas Memórias Póstumas que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certa foi sua decisão: o atual cenário dessa perseguição é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Tais atitudes esdrúxulas, ainda enraizadas na sociedade, podem provocar a depressão, doença psiquiátrica crônica que acomete grande parte da população e vem crescendo com índices alarmantes, acarretando à acentuação da problemática.
Destarte, forças externas suficientes devem tornar efetivas, vencendo a inércia proposta por Newton. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve ampliar o público alvo das coletas de sangue, através da não segregação da sociedade por meio de seus interesses sexuais, abrangendo, então, mais beneficiados e desmitificando paradigmas impróprios. Aliado a isso, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, fortifique investimentos em campanhas e palestras, ministradas por psicólogos e médicos, que discutam sobre os malefícios do bullying, a fim de promover a conscientização desde o período escolar até a maioridade. Somente assim, com medidas graduais, haverá um corpo social desprendido das correntes mencionadas por Rousseau.