As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 18/09/2019
Conforme a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; contudo, no âmbito da saúde, é notória a existência de sistemáticas que visam refrear a universalização desse princípio, consequentemente, certas populações, como a LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), enfrentam graves níveis de marginalização e exclusão. Dessa forma, as aversões perpetuadas por essa área advêm de um forte histórico sócio-cultural. Ademais, a totalidade do paciente não é abordada pela formação dos profissionais desse setor.
Em primeiro plano, é imprescindível ressaltar que, por se viver em uma estrutura discriminatória e intrinsecamente excludente, todo e qualquer sistema ou indivíduo estão suscetíveis a uma fixação de traços contidos nessa organização. Desse modo, mesmo em áreas que se dizem pautadas pelos valores da ciência, como no caso da saúde, nota-se a reprodução de inúmeros preconceitos, uma vez que, até 1990, a Organização Mundial da Saúde considerava a homossexualidade uma patologia, além da transexualidade ter saído da lista de doenças apenas em 2018. Logo, nenhum fragmento da sociedade está isento das amarras impostas pelo tempo e pela conjuntura dos fatos. Entretanto, quando não há uma progressão no pensamento, instaura-se a difusão de violências infundadas, sustentadas apenas por um ideário de pura ignorância, assim como, no final do século XX, que profissionais de saúde se recusavam tratar pacientes com AIDS, por desconhecerem a doença.
Outrossim, a equidade é um dos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde(SUS), visto que ele visa atender as pessoas no contexto que estão inseridas, no entendimento de que cada um possui suas particularidades e necessidades específicas. No entanto, não há possibilidade de se concretizar tal conceito, se a formação dos trabalhadores do setor não se propor a conhecer e debater os contrastes inclusos nas realidades individuais. Por isso, de acordo com o filósofo Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”, isto é não só em referência ao sujeito, mas também a todo o coletivo que ele impacta, dado que, em ordem para um tratamento mais digno e humanizado, a instrução precisa se aproximar do meio social.
Portanto, a fim de ampliar o acesso à saúde e assegurar seu valor democrático, o Governo Federal deve buscar medidas para minorar as discriminações reproduzidas pelo sistema. Isto Posto, com o Ministério da Educação, precisa incluir na base curricular de cursos da área de saúde disciplinas, que transcorram sobre a interseccionalidade do setor com questões de identidade de gênero e orientação sexual, por meio de comissões, em todo o território, que buscarão orientar e verificar a implantação da ação. Assim, é possível reverter os efeitos dessa complicada problemática.