As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 30/09/2019
O ATRASO DA CIDADANIA BRASILEIRA
Artigo quinto da Constituição da República Federativa do Brasil: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” Ora pois, visto isso, cabe dizer que é inaceitável que a sociedade brasileira ainda tenha tanto preconceito perante as pessoas que constituem o grupo homossexual de gays, lésbicas e simpatizantes (GLS), negando-lhes o direito de livre arbítrio e excluindo-os de contextos importantes na comunidade, interferindo inclusive na saúde dos cidadãos.
Em primeira análise, é irrefutável que não se faça jus à lei dos direitos e deveres, visto que essa foi constituída em 1988, há mais de trinta anos. Sendo assim, o século XXI demostra um atraso no que diz respeito à cidadania do Brasil. Nesse sentido, lamenta-se a falta de empatia e respeito com aqueles que diferem da opção sexual imposta como correta pela sociedade - homem e mulher, o que acomete exclusão na sociedade como um todo, desde a dificuldade de inserção no campo de trabalho ao convívio social. Ademais, essa falta de inclusão do público GLS abre caminho para doenças como a depressão, pois a não aceitação pessoal pode gerar inferioridade e infelicidade, fazendo com que o indivíduo sinta-se menosprezado.
Em segunda instância, o Brasil desperdiça 18 milhões de litros de sangue ao ano por preconceito - notícia publicada pela revista Superinteressante no ano de 2016 - uma vez que homens gays não podem ser doadores, a menos que passem doze meses sem fazer sexo, e essa falta de doação sanguínea afeta diretamente àqueles que necessitam dele para sobreviver. Nesse contexto, ressalta-se mais uma vez um ato que fere o artigo 5º da Constituição Federal. Também, vale lembrar que não é a orientação sexual da pessoa que determina a prática do sexo sem proteção ou anal, heterossexuais também o praticam, e assim a restrição da doação de sangue deveria valer-se para ambos.
Logo, é necessário que a mídia de telejornais atribua propagandas e campanhas de conscientização à inclusão dos GLS na sociedade, mitigando o problema de preconceito sexual internalizado na população brasileira. Outrossim, o Ministério da Saúde deve se reposicionar em relação à restrição de doação de sangue dos homossexuais e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária intensificar o trabalho de análise de sangue em todos os hemocentros do país, revertendo a situação dos milhares de litros sanguíneo desperdiçados anualmente. Dessa maneira, será possível fazer valer-se a lei dos direitos e deveres individuais e coletivos, contribuindo de maneira eficácia à cidadania do Brasil.