As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 02/10/2019

Durante a Idade Média, minorias como grupos homossexuais, indivíduos com algum tipo de deficiência ou pessoas com crenças ou raças distintas sofriam extremo preconceito por parte do restante da sociedade, o que na maioria das vezes resultava na exclusão ou assassinato dos mesmos. Atualmente porém, apesar de ações como essas serem estritamente proibidas e estarem longe do cotidiano hodierno, diversos outros tipos de segregação ocorrem, cujos resultados são tão prejudiciais quanto às práticas medievais. Esses atos, seja o compartilhamento de mensagens de ódio contra minorias ou agressões mentais e físicas contra esses grupos, acontecem principalmente devido a liquidez da sociedade moderna e a falta de atenção do estado à questão, e devem ser reprimidos urgentemente, a fim de que uma sociedade mais justa seja alcançada.

Inicialmente, um entrave para a resolução do problema é a liquidez que envolve as sociedades na modernidade. Hoje, há uma dificuldade muito grande pela maioria da população de enxergar algo “diferente” como igual, sem qualquer estranheza. Tal fato, segundo o filósofo polonês, Zygmunt Bauman, se deve a modernidade liquida na qual estamos inseridos, onde se colocar no lugar do próximo e estabelecer relações duradouras, sem distinções e preconceitos, é cada vez mais difícil. Sendo assim, posturas segregacionistas só vem aumentando no Brasil, o que reflete negativamente em todas as áreas da vida das vítimas, inclusive na saúde, uma vez que essas, tem no minimo, 2 vezes mais chances de desenvolver transtornos mentais, segundo pesquisa da universidade de Londres.

Além disso, os insultos e abusos não atingem somente a saúde mental dos afetados. Muitos deles, evitam frequentar os postos de saúde, mesmo em casos de necessidade, devido ao receio dos olhares preconceituosos que ali encontrariam, ou até mesmo do atendimento discriminatório que receberiam pelos próprios funcionários do local. Nesse contexto, a ineficiência estatal atua como agravante da situação, já que não fiscaliza casos de mal atendimento e na maioria dos casos que são denunciados, não aplica as devidas punições aos responsáveis, de maneira a incentivar práticas exclusivas que afetam cada vez mais gravemente a saúde física e mental das minorias no Brasil.

Destarte, é mister que medidas sejam tomadas para que a adversidade seja resolvida e um país mais justo seja obtido. Para isso, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, deve, através de verbas governamentais, desenvolver campanhas de conscientização da população, por meio de posts em redes sociais e cartazes pelas cidades. Ademais, deve-se criar órgãos especializados na fiscalização de ações excludentes, a fim de que os infratores sejam identificados e punidos, uma vez que “a pluralidade é a lei da terra”, e que atualmente, poucos são os que colocam isso em pratica.