As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 04/10/2019
De acordo com o artigo 196, da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, na contemporaneidade, nota-se que essa garantia não tem sido ofertada de forma adequada entre a população. Isso se deve, principalmente, à desigualdade social e econômica existente no país, o que faz com que haja distinção de abordagens entre membros da sociedade. Para o sociólogo Karl Marx, essa diferenciação é estimulada pela divisão de classes, que estabelece maiores benefícios às camadas consideradas superiores. Dessa forma, é preciso compreender as consequências ocasionadas por essa adversidade, com a finalidade de solucioná-las.
Observa-se, em primeira instância, a influência do preconceito estrutural na evolução dessa questão. Durante o período colonial, verifica-se variadas ações intolerantes cometidas contra nativos e africanos, principalmente, por intermédio da escravidão. Por conseguinte, foi desenvolvido um processo de discriminação que perdura até os dias atuais. Em virtude dessa questão, algumas comunidades foram isoladas e afetadas, principalmente, na saúde mental, tendo em vista a necessidade de superarem inúmeros obstáculos decorrentes desse isolamento. Dados do Ministério da Saúde mostram que, jovens negros, entre 15 a 29 anos têm 45% de chance a mais de cometerem suicídio.
Deve-se abordar, ainda, que essa realidade discriminatória enraizada no país, ocasiona a segregação racial, e impede que os indivíduos pertencentes às minorias usufruam de seus direitos, em especial, hospitalares, visto que são oferecidos de forma desigual entre o povo, e faz os seres mais pobres e vulneráveis, sem poderem recorrer à métodos terapêuticos, possuírem piores indicadores sociais. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 15% do público entrevistado não detinha acesso real ao sistema de saúde. Dessa forma, constata-se que os princípios de universalidade, integralidade e equidade, defendidos pela lei do SUS de 1990, não têm sido cumpridos de forma eficaz.
Infere-se, portanto, a premência de se reduzir os impactos da exclusão, e garantir a beatitude da nação. Sendo assim, é imperioso que o Ministério da Cidadania, em conjunto com ONG’s que atuam em locais desamparados pelo governo, realize campanhas por meio da mídia, com o intuito de questionar e desconstruir os prejulgamentos, e promover a reinserção das pessoas menos favorecidas no campo social. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com Universidades de Medicina, promover visitas domiciliares àqueles que não possuem ingresso à clínicas públicas, a fim de efetivar a prevenção e o tratamento à moradores de áreas negligenciadas. Assim, espera-se que os indivíduos possam ser tratados de forma igualitária em diversos âmbitos.