As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 09/06/2021
No livro dos anos noventa, “O Carandiru” -de Dráuzio Varela, são apresentados os dilemas que permeiam o cotidiano dos presos da penitenciária do Carandiru-na cidade de São Paulo. Nesse sentido, as doenças-aids, sarna e tuberculose-devido a superlotação exacerbada e sem higiene, são pontos levantados pela narração do autor. Fora da ficção, é fato que a exclusão social de grupos minoritários se perpetua no período hodierno, corroborada pela inoperância pública, ela deflagra o impacto negativo à saúde.
Em primeira análise, segundo o livro “Quarto de Despejo”, da mineira Carolina Maria de Jesus, a situação de miserabilidade vivida pela autora e seus vizinhos no morro do Canidé-SP, com ausência da coleta de esgoto e lixão à céu aberto, contribuia para o aumento de casos entre os moradores de doenças infecciosas como esquistossomose, ancilostomose e ascaridíase. Dessa forma, observa-se que na medida em que há a integração dos grupos marginalizados diminuiem se os casos de doenças causadas pela falta de higiene. Tal qual revela dados da Organização Mundial da Saúde, em que revela que cada um real investido no saneamento básico gera uma economia de quatro reais na saúde.
Somado a isso, consoante a Lei de número oito mil e oitenta, da Constituição brasileira, independentemente de classe social, religião ou orientação sexual, todos os residentes do país devem ter acesso igualitário ao sistema de saúde. Entretanto, na medida em que se observam dados recentes do Summit Saúde, os quais revelam que devido a desigualdade social os habitantes das favelas sofrem como dobro de riscos à saúde em relação a população mais economicamente estável, conclui-se a transgressão violenta a Carta Magna. Uma vez que não integrar plenamente a população se insere como um paradoxo em relação ao Estado Democrático de Direito.
Portanto, com o objetivo de investir no combate a desigualdade e exclusão social no país a fim de economizar os gastos com a saúde pública, é fundamental ação estatal. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimentos nas escolas- mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - as quais realizarão palestras e debates com os alunos. Mediadas por médicos infectologistas, assistentes sociais e psicólogos, abertas para a comunidade, com o intuito de transmitir a importância da luta contra a exclusão social para o desenvolvimento de um cenário ideal e harmônico, sem doenças ocasionadas pela falta de infraestrutura e qualidade de vida. Assim, gradativamente, histórias como as narradas por Carolina e Dráuzio se tornarão cada vez mais distantes da realidade do país.