As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 14/10/2019

O documentário “Sicko” faz uma comparação entre diferentes sistemas de saúde ao redor do mundo, mostrando como, em geral, países que os possuem com acesso universal são mais saudáveis, o que colocaria o Brasil em ótima posição, não fosse seu praticamente constante cenário de polarização política que dificulta o estabelecimento da equidade entre a população, excluindo ainda mais os socialmente marginalizados, através de impactos não apenas diretos, como indiretos.

A tensão entre dois grupos ideológicos opostos é muito bem utilizada pelos políticos brasileiros, que a  utilizam para distrair a sociedade em questões teóricas, enquanto eles camuflam seu jogo político para manterem as estruturas de poder, negligenciando, é claro, demandas sociais. Então, a intolerância generalizada e, muitas vezes, artificialmente criada, apresenta seus impactos: uma fadiga intensa nos ativistas que defendem a promoção da igualdade socioeconômica para os excluídos(negros, mulheres, LGBT’s), que facilita o adoecimento dessa classe e retardam melhorias práticas, como a criação de políticas públicas inclusivas, modernização de hospitais e compra de novos materiais para eles.

Além de condições como essa, que prejudicam indiretamente as minorias, elas também são afetadas diretamente pela polarização política, pois, enquanto a sociedade está preocupada em defender suas opiniões, a realidade não se restringe ao aspecto subjetivo. Dessa forma, há a manutenção de um sistema em tese universal, mas que dificulta o acesso de pessoas com sexualidade e identificação de gênero não normativas, além do mau atendimento a pessoas de bairros periféricos, que, muitas vezes, não possuem estruturas adequadas. Ou seja, enquanto a população fica presa a debates políticos, a realidade hostil a grupos excluídos é perpetuada, dificultando tanto a prevenção quanto o tratamento.

Existem, portanto, diversas formas de exclusão, tanto socioeconômicas, como políticas que convergem em uma consequência: a precarização da saúde do brasileiro. Por isso, é necessário que a sociedade civil se mobilize em questões práticas, indo além de discussões ideológicas e fiscalizando as atitudes dos políticos eleitos, fazendo a cobrança, através de protestos e até mesmo de mensagens nas redes sociais pessoais, de não apenas posicionamentos, como ações e reformas no Sistema Único de Saúde. Com isso, cabe ao governo, tanto em instância federal, quanto em estadual e municipal, ouvir as demandas populares e melhorarem o acesso de pretos, pobres e LGBT’s ao sistema, extendendo a abrangência dos hospitais para os bairros periféricos e oferecendo cursos preparatórios para que os profissionais da saúde saibam receber esses grupos excluídos com excelência, oferencendo boas condições de prevenção e, se necessário, o tratamento das enfermidades. Desse modo, os impactos da exclusão na saúde serão diminuídos, melhorando as condições de vida da coletividade brasileira.