As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 18/10/2019

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido por exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana das minorias étnicas no Brasil, os quais buscam ultrapassar as barreiras que os separam do direito a saúde de qualidade, ocasionadas sobretudo, pela repressão e exclusão dessas populações. Nesse contexto, não há dúvidas de que a temática é um desafio no Brasil, o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Conforme Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a perseguição às minorias rompe essa harmonia; haja vista que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, muitos cidadãos se utilizam da inferioridade de gênero, religião, sexualidade, para externar ofensas e excluir socialmente pessoas com doutrinas e ideologias diferentes, ocasionando impasses à saúde dessas populações.

Segundo pesquisas, minorias étnicas tem maiores riscos de desenvolver transtornos mentais, sobretudo, relacionado ao destratamento desses indivíduos em suas atividades cotidianas, o que leva à situações de estresse e sobrecarga mental desses cidadãos. De acordo com Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a preparação do preconceito e intolerância se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação do pensamento da inferioridade persiste, sendo transmitido de geração em geração e perpetuando como base forte do problema no Brasil.

Destarte, depreende-se que raízes sociais potencializam atos inconstitucionais no Brasil. Torna-se imperativo que o Estado, na figura do Poder Legislativo, desenvolva leis de tipificação como crime hediondo aos atos violentos e atentados ao atendimento para a saúde dessas populações. Ademais, a escola deve realizar debates periódicos com representantes desses grupos, a fim de instruir, imparcialmente, seus alunos acerca da variabilidade e tolerância à outras culturas e valores, assim como as implicações físicas e psicológicas na saúde desses cidadãos. Apenas sob tal perspectiva, poder-se-á respeitar a liberdade e combater os impasses para a saúde das minorias étnicas, e assim os brasileiros vencerão o desafio imposto por Zeus.