As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 28/10/2019
No século XVIII, o iluminista Voltaire, em ‘‘Cândido ou o Otimismo’’, promovera profunda ruptura com a filosofia romântica de Leibniz ao ironizar a compreensão de que se vivia no melhor dos mundos possíveis.Contemporaneamente,o panorama de inércia social e negligência estatal parece definitivamente legitimar as ideias protagonizadas pelo pensador francês.Com efeito,compreender e transformar as diversas formas de exclusão de minorias e seus impactos sobre a saúde do brasileiro,mostra-se um afazer de indubitável relevância.
Em uma primeira perspectiva,as consequências da discriminação social relacionadas à vitalidade social da população brasileira erguem-se como uma realidade em decorrência da inabilidade governamental.Isso porque o Estado secundariza causas sociais que não se mostrem úteis ao fisiologismo de sua agenda,visto que,acastelado pelos seus governantes,ocorre a priorização de gastos em benefício próprio em detrimento de investimentos em atendimento médico.Nesse sentido,Thomas Hobbes,em ‘‘O Leviatã’’,desvela que o Governo deveria garantir o bem-estar da sociedade.Essa reflexão materializa-se no presente momento do país, na medida em que o Poder Público descumpre seu papel, o que deslegitima os direitos e garantias fundamentais das minorias estabelecidos pela Constituição Federal de 1988,no que se refere à saúde pública universal, gratuita e de qualidade.
Ademais,em um segundo plano, os resultados da segregação social sobre as condições vitais do indivíduo no Brasil arquitetam-se como expressão mínima da inação populacional.Essa conjuntura instaura-se devido ao resultado de expressiva parcela dos indivíduos brasileiros omitir-se diante de problemas sociais,já que considera que manter-se inerte é preferível a mobilizar-se e pressionar o poder estatal por mudanças.Nessa lógica,Félix Guattari e Gilles Deleuze,em ‘‘Mil Platôs’’,refletem que a contemporaneidade produz corpos dóceis,apáticos e que compactuam com a realidade existente.Dessa forma, a coletividade não manifesta-se a favor dos sujeitos afetados pela exclusão e dependentes da precária infraestrutura de saúde, e essa minoria permanece excluída ou negligenciada.
Portanto, a displicência estatal e a compactuação da sociedade instauram o quadro de efeitos sobre a saúde do brasileiro.Assim, o Poder Executivo Federal, sob a forma de Ministério da Saúde, deve promover políticas de inclusão social, por meio de incentivos a empresas privadas que, em contrapartida, investiriam na construção de clínicas e unidades de saúde populares para antedimento ao público necessário,as quais funcionem integralmente, em paralelo à conscientização da população a respeito da causa,por intermédio de propagandas publicitárias em horários nobres.Dessa forma, os cidadãos seriam dignificados, e a filosofia romântica de Leibniz, poderia, enfim, tornar-se realidade.