As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 29/10/2019

O icônico filme “Jogo da imitação” retrata, de forma cinematográfica, aspectos relevantes da vida do criador do primeiro computador, Allan Turin. Por ser homossexual em uma sociedade preconceituosa, o gênio da computação foi discriminado, excluído, negligenciado pelo sistema de saúde de seu país e forçado a castração química. Já no cenário brasileiro atual, a mentalidade arcaica retratada nas telas também é uma realidade para muitos, seja por uma ineficiência do setor público de saúde, seja pelo preconceito da sociedade em geral.

Primeiramente, a falta de ética de muitos profissionais da área da saúde é um fator relevante de exclusão que impacta negativamente na sociedade brasileira. De fato, em consonância com a teoria do filósofo grego Aristóteles, o homem é um ser político e, devido a isso, é improvável aja de forma totalmente imparcial, mesmo tendo jurado o Juramento de Hipócrates. Assim, certos atendimentos feitos em unidades de saúde pública ferem as delimitações do artigo 5º da Constituição do Brasil que asseguram uma saúde de qualidade a todos os cidadãos, independente de raça, cor, crença religiosa ou outros fatores formadores da identidade de cada um.

Além disso, o preconceito agrava, ainda mais, as diversas formas de exclusão, resultando em impactos sobre a saúde do brasileiro. Segundo o filósofo alemão Karl Marx, a alienação é uma forma de “auto-segregação forçada” que consiste no isolamento do indivíduo no que tange assuntos pertinentes a sociedade como um todo. Nesse sentido, visando proteger-se de possíveis perigos físicos e verbais acarretados por uma cultura segregacionista, muitos cidadãos não buscam atendimento na rede de saúde. Dessa forma, há impactos negativos diretos sobre o sistema público de saúde brasileiro que precisam ser mitigados.

Faz-se necessário, portanto, que o Governo Federal, aliado a empresas privadas de tecnologia, desenvolvam um aplicativo de denúncia anônima para que os cidadãos possam relatar casos de profissionais antiéticos, pois acesso a saúde de qualidade é um direito de todos. Ademais, com o fito de minimizar o preconceito no Brasil, psicólogos devem ministrar palestras, nas escolas, a respeito da importância de se conviver pacificamente com o outro, respeitando-o, independente de crenças pessoais, uma vez que o empoderamento dos excluídos também é relevante para o crescimento social do coletivo. Com isso, casos de negligência como o de Turin não serão mais uma constante.