As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 26/01/2020

“Escarra nessa boca que te beija!” é um verso do escritor brasileiro Augusto dos Anjos que evidencia a falta de reciprocidade entre as relações humanas. A partir da compreensão dessa ideia, é possível correlacioná-la às diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro. Afinal, inúmeras minorias, apesar de possuirem o direito a saúde, podem sentir-se excluídas desse sistema e não serem atendidas com dignidade. Assim, essa falta de retribuição social afeta a saúde da população marginalizada com a falta de confiança transmitida por postos e hospitais e com a baixa procura de apoio médico.

Em primeira análise, é possível observar que diversos locais de saúde não são considerados como pontos de apoio por parte da população brasileira. Isso porque existe considerável preconceito contra cidadãos afrodescendentes e LGBTQ+, uma vez que os traços da cultura colonial branca e normativa são perceptíveis ainda na atualidade. Assim, a medicina, mesmo com as cotas e outras iniciativas do governo para ampliar o acesso ao curso, segue como uma área majoritariamente elitista que pouco respeita diferenças de etnia ou opções sexuais. Com isso, a parte marginalizada da população brasileira é passível de sofrer preconceito na área da saúde e, por consequência, essa não transmite a confiança e o tratamento necessário a todos.

Aliado a isso, o preconceito pode funcionar como um gatilho para a diminuição à procura do sistema de saúde, seja público ou particular. Tal fato ocorre porque postos e hospitais são, diversas vezes, vistos como locais de possíveis constrangimentos, já que comentários pejorativos e condutas inadequadas não são raros dentro dos ambientes de saúde. Por consequência, cidadãos que são vítimas de tais agressões evitam atendimentos médicos e, assim, adoecem e não são cuidados de maneira adequeada, o que pode gerar o errôneo hábito da automedicação e a maior transmissão de doenças.

Portanto, é necessário que a saúde no Brasil seja acessível a todos. Para isso, é essencial que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, realize palestras semestrais nas faculdades de Medicina com vítimas de situações de preconceito em postos e hospitais, a fim de estimular a empatia dos futuros profissionais. Além disso, é necessário que as consultas sejam supervisionadas por agentes sociais durante um período de dez anos com a finalidade de reconquistar a confiança na área da saúde dos cidadãos afrodescendentes e LGBTQ+ ao disponibilizar essa proteção contra agressões físicas e psicológicas. Dessa forma, a falta de reciprocidade será afastada da realidade nacional e mantida somente na literatura.