As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 23/02/2020
‘‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho". O verso do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, publicado na Revista Antropofagia em 1928, descreve os problemas enfrentados pelos indivíduos no decorrer da vida. Nesse viés, no cenário contemporâneo brasileiro, as maneiras de exclusão social das minorias implicam na vulnerabilidade aos distúrbios patológicos e o acesso à saúde inadequada.
Antes de mais nada, a marginalização de grupos do corpo social brasileiro é um grande problema que fere o sistema democrático do país. Dese modo, as manifestações de violência contra indivíduos do segmento LGBT, grupos religiosos, negros e classe social baixa, tendem a perpetuar esse tecido a ser alvo de ações e discursos de ódio, incluindo o desrespeito. Com isso, o direito á saúde igualitária, presente na Lei do SUS 8.080 de 1990 que integra a Constituição Federal de 1998, perde o seu princípio de Universalidade, pois existe um preconceito repassado entre os profissionais da saúde durante o atendimento, bem como julgamentos que rotula esses pacientes e impede uma abordagem humanizada.
Além disso, para o Sociólogo Émile Durkheim, no seu trabalho “Fato Social”, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são as suas origens e as condições de que depende. Assim sendo, dentro da concepção citada, a forma com que o sistema sanitário é oferecido para o setor excluído, não deixa claro os serviços e a responsabilidades que o Governo tem para erradicar e tratar algumas doenças, como o HIV, por exemplo. Nessa perspectiva, a saúde pública não é vista como um auxílio e apoio social, corroborando para a prevalência de doenças e um sistema desigual.
Dessarte, urge que o Ministério da Saúde, sabendo dos males que essa realidade pode causar aos brasileiros, promova campanhas para expor às comunidades vulneráveis os seus direitos e como ter acesso à saúde pública. Para tanto, é necessário o uso das mídias digitais para veicular propagandas que aborde conteúdos explicativos e de fácil entendimento. Ainda assim, os profissionais da saúde devem passar por treinamentos que ensinem como ampliar o bom atendimento aos pacientes e a usar humanidade como ferramenta de apoio, por intermédio de palestras e dinâmicas. Somente assim será tirada mais uma pedra do caminho que impede o progresso.