As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 16/04/2020
A exclusão compõe a prateleira dos temas recentemente objeto de discussão. Depois de aparecer pela primeira vez em 1974 como título do livro do francês René Lenoir: Os excluídos, a denominação foi associada a diversos temas. Em sua relação com a saúde, compreende-se que é absolutamente certa a influência prejudicial da exclusão na saúde da população, uma vez que ela tanto pode ser a causa dos malefícios à saúde como a explicação da procura de preservar a saúde mental.
A priori, a consciência de classe favorece a exclusão e seu corolário: o prejuízo a saúde. Acreditou-se que consciência da verticalização das relações poderia sanar as injustiças. Crença, resultado da influência da cultura judaico-cristã difundida no ocidente. Porém, diariamente, os homens negam o maior exemplo dessa cultura: Jesus Cristo. Este, sendo Senhor, como diz o apostolo Paulo, fez-se semelhante ao servo. O indivíduo, ao contrário, utiliza sua posição superior para negar direitos e confirmar seu status em prejuízo do outro, ou seja, praticam ações que excluem em vez de incluir, ao deixar de contribuir para distribuição equitativa de educação de qualidade, lazer, tratamento médico. Desse modo e tendo como perspectiva um futuro em que os ricos serão mais ricos e os pobres mais pobres, a consciência da estratificação social, ao contrário do que se pensou, perpetua a relação exclusão e saúde.
Além disso , acontece que para conservar a saúde mental alguns optam pelo ostracismo. Lutar pelos bens escassos (porque em mãos de poucos) pode gerar grave estresse mental que nem todos estão preparados para viver. Nesse caso, o caminho mais curto é como afirma a música dos Racionais MCs: “acho que todo preto como eu só quer um lugar no mato só seu”. Afirmação que identifica um dos principais protagonista da “auto exclusão”: o negro. Outro exemplo é o movimento inverso ao ocorrido nos períodos de desenvolvimento das grandes cidades (Êxodo rural), o retorno ao campo muitas vezes acontece por não obtenção dos mínimos necessários para viver nas grandes cidades. Alguns que insistiram em permanecer no meio urbano, com alguma excessão, vivem em comunidades com pouca ou nenhuma interferencia do Estado levando infraestrutura e saneamento basico. O preço é altissimo.
Diante da conscientização de classe nociva e da resignação diante dos desafios, é nítida a relação saúde e exclusão, visto que pode ser a causa ou a explicação de certas atitudes contrárias ao relacionamento ideal. Visando romper esse laço prejudicial, impõe-se a presença do Estado, equilibrando a relação de desiqual, com políticas públicas capazes de conceder oportunidade a uma parte marginalizada da população. Assim, pode-se pensar em inclusão, participação e cooperação para criação de um mundo mais solidário.