As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 20/04/2020

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social’’, um Direito social inerente à condição de cidadania, que deve ser assegurado sem distinção de raça, de religião, ideologia política ou condição socioeconômica, a saúde é assim apresentada como um valor coletivo. Todavia, a realidade social brasileira mostra-se distante do conceito definido pela OMS. Neste ponto, segundo uma pesquisa do Ministério da Educação 25% dos brasileiros vivem em condições precárias e 42% dos municípios do país possuem altos índices de exclusão social, seja de negros, pobres ou homossexuais.

Em primeiro lugar, é importante evidenciar a noção de normalidade dentro da sociedade. No livro O Alienista de Machado de Assis, o protagonista acaba por fazer patologia de todos indivíduos que considerasse fora do padrão social, nesse sentido, o livro revela a obsessão pela normalidade social. No entanto, a homossexualidade até antes do ano 1990 era considerada uma doença de cunho internacional, porém mesmo depois de ser desconsiderada como uma patologia, o desafio continua nas culturas de rejeição ao direito de opção sexual, com o preconceito chegando a exclusão desse grupo minoritário a direitos básicos de saúde.

Em segundo lugar, é importante ressaltar a falta de integralidade de grupos minoritários. No livro Holocausto Brasileiro, é evidenciado a realidade de milhares de pessoas excluídas socialmente que foram enviadas ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, hospício que era utilizado para indesejáveis da sociedade, que foram torturados e mortos nesse local sem nenhum Direito humano assegurado. O filósofo empirista John Locke  foi um dos grandes pensadores acerca do que envolvia a problemática da tolerância, o que se encontra na Carta acerca da tolerância, na qual, de maneira veemente, advogava um estado laico como forma de garantia de uma sociedade que respeitasse as diferenças.

Diante do exposto, torna-se evidente que a problemática requer medidas que modifiquem tal cenário. Para isso, é necessário que o Ministério da Cidadania em conjunto com ONGS de atendimento a população vulneráveis, por meio da mídia façam campanhas com questionamento e desconstrução de preconceitos e que alertem a população para necessidade de um atendimento especial a grupos excluídos. Ademais, urge que o Ministério da Saúde em parceria com Universidade, principalmente do curso de medicina, façam o desenvolvimento de estudos específicos, em que se levantem os principais indicadores sanitários dos diversos grupos sociais brasileiros com a finalidade de criação de um Orgão que atenda com prioridade o grupo excluído. Resolvendo assim a desigualdade e exclusão social.