As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 08/05/2020
O filme “Clube de compra em Dallas” aborda diversos temas preconceituosos contra aos homossexuais e, apesar da trama se passar nos anos 80, o ódio permanece latente até os dias atuais. A personagem Rayon, que é travesti, é uma das principais vítimas de discursos homofóbicos e, sob essa óptica, sua saúde é negligenciada pelo Estado em um dos períodos mais obscuros da aids. Hodiernamente, o governo brasileiro ainda resiste em doações de sangue vindas de homossexuais em razão de tabus religiosos e falta de educação científica, o que acaba pungindo o grupo em diversas formas de exclusão e negligências.
Sob essa perspectiva, a justificativa dos estoques de sangue no Brasil estarem desprovidas do mesmo é o preconceito e a exclusão de homossexuais na saúde do País, o que gera consequências letais na população que necessita de transfusões com urgência. Apesar de estudos já apontarem que DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) podem estar presentes em homossexuais quanto heterossexuais, a herança do senso comum homofóbico leva o primeiro grupo o impedimento de participar de doações sanguíneas. “Preconceito é uma opinião sem conhecimento” é uma das célebres frases do filósofo Voltaire que pode ser aplicada na situação lamentável que o Brasil passa.
Ademais, o histórico patriarcal e religioso que a sociedade brasileira carrega desde o seu período colonial repudia qualquer tipo de relacionamento homoafetivo que fira seus costumes e tradições. Visto isso, muitos deputados radicais apontaram a “cura gay” como forma de reversão da sexualidade de brasileiros no começo de 2010, apesar da OMS (Organização Mundial da Saúde) ter descartado que a orientação sexual dos indivíduos fosse qualquer manifestação de doença nos anos 90. No entanto, o processo continua gerando polêmicas até os dias de hoje e cresce o número de defensores de sua causa.
Em síntese, diante dos efeitos deletérios, a exclusão de homossexuais deve ser combatida em âmbito nacional. Então, faz-se necessário que as escolas, junto as famílias, realizem palestras e debates sobre sexualidade ministradas por profissionais da área, como sexólogos e psicólogos, a fim de informar jovens e adultos sobre a homofobia em diversos setores da sociedade brasileira e apresentar métodos de como mudar essa realidade no País. Ademais, é importante que o Ministério da Saúde, impulsionado pela mídia, esclareça que a orientação sexual não é uma doença para que seja tratada em propagandas de horários nobres e palestras ao vivo, estimulando o senso crítico e ao abandono de tabus religiosos radicais. Assim, com essas medidas, as amarguras que a personagem Rayon podem ficar apenas na ficção.