As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 14/05/2020
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a saúde é um direito inalienável. Entretanto, de acordo com o filósofo Achille Mbembe, o Estado nega a humanidade de certos grupos sociais, tornando-os passíveis à violência. Dentre os tipos de violência, a exclusão do acesso à saúde é umas das formas de marginalizar a humanidade de um grupo. Nesse sentindo, é possível listar a incapacidade médica para lidar com o estado de saúde LGBT seguida pelo racismo em ambiente hospitalar como formas de exclusão, corroborando para um sistema de saúde restritivo.
De primeira, é necessário pontuar que a equidade é um dos princípios do SUS. Entretanto, a medicina tradicional, aplicada na saúde pública, não é instruída a compreender o quadro de saúde da população LGBTQ+ , em virtude da hegemonia heterossexual que espelha a sociedade. A partir daí, inicia-se um ciclo vicioso de profissionais da saúde que não procuram entender a comunidade e de membros do grupo que param de buscar ajuda desses órgãos, devido ao atendimento ineficiente. Nesse sentindo, de acordo com o “youtuber” que aborda assuntos acerca de sexualidade,Jonas Maria, o corpo de um “trans” não é semelhante nem ao corpo feminino nem ao masculino, logo, merece um tratamento diferenciado e especializado para aquela realidade. Isso também se aplica à condição física de outros indivíduos da comunidade LGBT, pois possuem uma dinâmica social e sexual diferenciada do esteriótipo abordado pela medicina tradicional. Portanto, para que o princípio de equidade do SUS seja aplicado é necessário um atendimento especializado para os membros desse grupo.
Ademais, é necessário salientar que o racismo estrutural, que permeia a sociedade se manifesta, também, no sistema de saúde. Prova disso é que, segundo a Escola de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, grávidas negras e pardas, além de peregrinarem para encontrar a ajuda médica devida, recebem menos anestesia ,durante o trabalho de parto, do que mulheres brancas. Tal disparidade de atenção corrobora para deixar de lado grande percentual da sociedade brasileira do acesso à saúde.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. O Estado deve investir na constituição de uma saúde mais inclusiva, criando disciplinas acadêmicas que capacitem profissionais de saúde a ter um atendimento mais humanizado e especializado para públicos diversos, incluindo membros da comunidade LGBTQ+. Tal ação permitirá a compressão do quadro de saúde desses indivíduos por estudantes universitários. Ademais, para liquidar o racismo estrutural que se reflete no sistema de saúde, faz-se necessário um trabalho de desconstrução social pelo MEC acerca de desigualdade nas escolas país adentro, para estimular um comportamento mais inclusivo e empático com os outros membros sociais.