As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 19/05/2020

Segundo a Constituição Federal de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Porém, hodiernamente, a conjuntura social brasileira se encontra distante dessa realidade, já que vem buscando caminhos para a superação das diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro. Desse modo, é primordial a desconstrução de preconceitos enraizados socialmente, para preservar e manter o direito de saúde da população.

Diante disso, cabe pontuar a federação brasiliense como herdeira de um modelo escravista, sendo formada por meio da desigualdade racial e econômica. Nesse contexto, ainda se tem sequelas desse período, a exemplo da rejeição e da dificuldade de integração no meio comunitário, e, como consequência, a saúde mental desses indivíduos acaba prejudicada e fragilizada. Em virtude disso, Peter Berges afirma que toda realidade social é produto de uma construção humana. De maneira análoga ao pensamento do sociólogo austríaco, é fulcral a esfera educacional trabalhar a dinâmica das sociedades e apresentar as repercussões que o mínimo comportamento inadequado pode acarretar no ambiente coletivo,com o escopo de evitar impactos emocionais imensuráveis.

Outrossim, a massiva hegemonia heterossexual e seu pensamento defasado do conceito de normalidade, acaba por influenciar os provedores de saúde e impactar de forma negativa o atendimento clínico, a exemplo de condutas inadequadas e discriminatórias, causando constrangimentos para comunidade homoafetiva. À vista disso, o escritor brasileiro Machado de Assis retrata em sua obra O Alienista, o personagem Simão Bacamarte que atua como médico e promove a patologização de comportamentos fora do padrão e evidencia sua obsessão pela regularidade. À luz de tal pensamento, é imprescindível uma maior empatia proveniente do meio médico, com o desígnio de extinguir experiências negativas que possam gerar inseguranças nos pacientes e os levem a evitar atendimentos indispensáveis.

Portanto, indubitavelmente, medidas se fazem necessárias para findar essa mazela. Cabe à Receita Federal disponibilizar maiores investimentos para o Ministério da Saúde, visto que é um veículo medular para o auxílio à população, por meio do financiamento de projetos em prol da capacitação profissional e da humanização dos agentes de saúde, a fim de que seja realizado o pleno exercício da cidadania. Ademais, cabe, também, ao Ministério da Educação, o dever de incluir a disciplina de cidadania e ética moral na grade curricular estudantil, com o intuito de construir raízes sólidas de respeito e empatia na nação verde-amarelo. Dessa maneira, a Constituição Federal será respeitada e os direitos civis garantidos.