As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 17/05/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Em contraste com essa ideia, no Brasil, muitas pessoas enfrentam dificuldades em ter esse direito assegurado, visto que a exclusão social e a discriminação nos atendimentos médicos geram danos à saúde mental e física das minorias sociais. Assim, embora todos os brasileiros tenham o direito à saúde assegurado pela constituição, muitos possuem esse acesso restrito, devido à exclusão social causada pelo preconceito.
Primeiramente, a saúde das minorias sofre com a falta de preparo dos profissionais da saúde para atender as populações com demandas mais específicas, como, por exemplo, o grupo LGBT+. Os médicos e enfermeiros não possuem os conhecimentos necessários para entender as necessidades de seus pacientes e para transpor a barreira gerada pelo medo do julgamento, visto que muitas vezes a comunicação sofre com as barreiras geradas pelos “tabus” sociais, como a sexualidade. Assim, o despreparo das equipes de saúde impede o acesso à tratamento médico de qualidade pelas minorias sociais, contrariando o princípio da equidade e da universalidade do SUS.
Em adição a isso, a discriminação e a exclusão diária promovem o adoecimento psíquico do indivíduo que sofre com as atitudes discriminatórias. Uma pesquisa realizada pela University college London constatou que a população africana que vive no Reino Unido tem uma probabilidade 4,1 vezes maior de manifestar doenças psicóticas em relação à população nativa do país. Isso indica que os diversos tipos de preconceito-como a xenofobia- fazem com que as populações mais vulneráveis tenham indicadores de saúde piores do que as populações privilegiadas em função de sua cor, etnia ou orientação sexual.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O ministério da saúde, em conjunto com o ministério da cidadania, deve ampliar o conhecimento sobre a saúde das minorias, por meio de um projeto de lei a ser entregue à câmara dos Deputados. Nele deve constar que estudantes de medicina e enfermagem das universidades de todo o país deverão ter aulas específicas sobre a saúde das populações LGBT e sobre as condutas éticas no atendimento à grupo minoritários. Espera- se, com essa medida, que as populações mais vulneráveis tenham um espaço preparado para assegurar a sua integridade física e psicológica, ampliando o acesso à saúde para toda a população e combatendo o impasse de maneira precisa e democrática.