As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 31/05/2020

No romance modernista Vidas Secas de Graciliano Ramos, o autor expõe a negligência estatal e o processo de exclusão social através da história de Fabiano e sua família. Nesse contexto, a obra permi-te a reflexão acerca de como o processo de exclusão social afeta a vida e a saúde de diversos brasilei-ros em condições tão vulneráveis como às de Fabiano. Assim, é notório que a negligência social viven-ciada pelas minorias sociais representa um grave problema para a sociedade, uma vez que acentua tanto a exclusão de certos grupos em vulnerabilidade social, como também evidencia o aumento dos transtornos mentais por tais grupos sociais.

A priori, é necessário compreender o processo de exclusão social vivenciado na atualidade. Nesse sentido, é válido ressaltar que tal exclusão representa um reflexo do preconceito e da intolerância exis-tentes na contemporaneidade. Por conseguinte, as minorias étnicas e sexuais, por exemplo, são trata-das com negligência e indiferença por diversos setores da sociedade, o que acentua a ocorrência de crimes de ódio contra essa parcela da população. A fim de explicar essa intolerância, pode-se citar o conceito de Violência Simbólica trabalhado pelo filósofo Pierre Bourdieu. Assim, esse conceito explica que os crimes intolerantes como o preconceito e a discriminação decorrem da naturalização da violên-cia, o que corrobora com o processo de exclusão social.

Outrossim, também é importante analisar o aumento das doenças mentais pelas minorias sociais como consequência do processo de exclusão. Nessa perspectiva, observa-se um aumento considerável de transtornos mentais como a ansiedade e depressão em grupos que são excluídos socialmente, como a comunidade LGBT+, por exemplo, conforme dados da OMS. Dessa forma, pode-se entender tal aumento como consequência de práticas ofensivas que são naturalizadas e impunes, acentuando a vio-lência contra os grupos de maior vulnerabilidade social. Para explicar a naturalização e impunidade existente na atualidade, pode-se citar o conceito de Banalidade do Mal trabalhado por Hannah Arendt, que afirma que a naturalização é decorrente da impunidade dos crimes de ódio.

Portanto, é evidente que a exclusão social tem um impacto direto na vida dos cidadãos brasileiros. Por isso, é imprescindível que o MEC promova o combate ao processo de exclusão social por meio da criação de campanhas que informem a importância da diversidade étnica e cultural para a sociedade. Essa ação deve ser feita a fim de incluir os diferentes grupos sociais existentes, uma vez que a inclusão social é um direito previsto pela Constituição de 1988. Ademais, também é necessária a intervenção do Poder Legislativo para combater a impunidade proveniente da naturalização da violência. Isso deve ser feito para reduzir doenças mentais vivenciadas por grupos em vulnerabilidade, como em Vidas Secas.